Um vídeo que circula nas redes sociais expõe a desembargadora Eva do Amaral, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), manifestando contrariedade em relação ao seu salário e aos benefícios recebidos. Atualmente, o TJPA destina R$ 544 mil mensais para manter uma frota de veículos híbridos e serviços de motoristas particulares para seus 40 magistrados.
A polêmica dos “penduricalhos”
No vídeo, a desembargadora defende a manutenção dos chamados “penduricalhos” nos salários dos juízes, que foram suspensos por decisões dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Ao criticar a suspensão desses adicionais, a magistrada comparou a situação financeira da categoria após o fim dos benefícios a um “trabalho escravo”, argumentando que o corte impacta severamente a remuneração dos membros do tribunal.
Estrutura de luxo e custos elevados
Apesar das queixas sobre a suspensão de gratificações, Eva do Amaral continua usufruindo de um veículo híbrido avaliado em R$ 175 mil e de um motorista com dedicação exclusiva, ambos custeados com recursos públicos. Em março, seu último salário bruto registrado foi de R$ 117,8 mil.
O veículo faz parte de um contrato de locação firmado pela Corte para atender aos desembargadores, com um custo mensal aproximado de R$ 544 mil e uma despesa prevista de R$ 32,6 milhões ao longo de cinco anos. Essa estrutura de transporte foi ampliada no final do ano passado para acompanhar o aumento do número de desembargadores, que saltou de 30 para 40.
Segundo o tribunal, os deslocamentos frequentes para sessões, audiências e compromissos oficiais exigem logística própria.
As especificações da frota priorizam veículos híbridos de última geração, equipados com bancos de couro e isolamento acústico, mantidos em excelente estado de conservação.
Alegação de precariedade financeira
Durante uma sessão da 3ª Turma de Direito Penal, a magistrada manifestou preocupação com o que chamou de “perdas salariais” decorrentes do corte das gratificações. Segundo ela, alguns colegas já estariam deixando de frequentar médicos e de comprar medicamentos devido à redução nos rendimentos. “Daqui a pouco estaremos no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, concluiu a desembargadora.
O contraste com a realidade
Apesar do tom alarmista das declarações, os registros do portal da transparência revelam uma realidade distinta. A remuneração bruta de R$ 117,8 mil recebida pela magistrada em março evidencia o contraste entre as reclamações corporativas e a situação econômica do país.
O embate entre o custo da frota oficial e as queixas sobre a remuneração pessoal dos magistrados ocorre em um momento de intenso escrutínio público sobre os gastos do Judiciário e a manutenção de privilégios, especialmente em um estado que ainda enfrenta graves desafios sociais.
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