O economista da ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa durante a entrevista ao BC TV


A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgou a expectativa de vendas para o Dia dos Pais, celebrado neste domingo. A pesquisa aponta uma tendência de compras de última hora, com o sábado sendo o dia de maior movimento nas lojas.

Em entrevista a Germano Oliveira, ao Jornal BRASIL CONFIDENCIAL, o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, da ACSP, analisou as projeções e o comportamento do consumidor.

🎯 De olho nos indecisos

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Ulisses Ruiz de Gamboa explicou que o comércio aposta fortemente nas vendas de sábado, principalmente porque uma parcela significativa dos consumidores ainda não decidiu se irá comprar presentes.

“Temos uma proporção de 20% dos entrevistados que ainda estão indecisos entre comprar ou não presentes para o Dia dos Pais. É uma porcentagem significativa, que pode surpreender na última hora”, afirmou o economista.

Ele projeta um crescimento moderado nas vendas em relação a 2024:

“Nossa visão é de que haverá um aumento em relação ao ano passado, mas relativamente leve — entre 2% e 5%”, explicou.

O economista atribui esse crescimento ao aumento da renda e do emprego, mas ressalta que o alto endividamento das famílias e os juros elevados tendem a frear o consumo.

🎁 Preferência por presentes tradicionais e lojas físicas

A pesquisa da ACSP também revela que os consumidores continuam preferindo presentes tradicionais, especialmente itens de uso pessoal.

“Roupas, calçados, acessórios, perfumes e artigos mais em conta, geralmente pagos à vista, são os mais buscados”, destacou Gamboa.

O economista observou ainda uma preferência por compras em lojas físicas e pequenos estabelecimentos:

“A maior parte dos entrevistados manifestou interesse em comprar de forma presencial. Isso pode representar uma boa notícia para o varejo mais tradicional.”

Embora o comércio eletrônico esteja em crescimento, ele ainda não supera a busca por lojas físicas no Brasil e no estado de São Paulo:

“O comércio eletrônico é cada vez mais relevante, claro. Mas, pelo menos em nível nacional e estadual, a maioria dos entrevistados ainda manifesta preferência pelas lojas físicas”, salientou.

💸 Gasto médio e mudanças pós-pandemia

O valor do presente, para cerca de 70% dos consumidores, deve ficar entre R$ 50 e R$ 300. Ulisses considera esse ticket médio razoável e alinhado com os padrões dos últimos anos:

“Nos últimos anos, tem se configurado uma tendência de comprar presentes não tão caros e, como eu disse, de uso pessoal.”

A pandemia de COVID-19 provocou mudanças significativas no comportamento de compra:

“Alguns hábitos mudaram, sim. Antes da pandemia, a proporção de pessoas interessadas em comprar roupas, calçados e acessórios era muito mais alta do que vemos agora.”

O interesse por itens mais caros, como eletroeletrônicos, diminuiu — possivelmente devido ao endividamento das famílias. Por outro lado, itens como cestas de café da manhã, que ganharam força durante a pandemia, perderam relevância.

🕒 O apelo de última hora

Diante do cenário, o comércio aposta em estratégias para atrair os indecisos e os consumidores de última hora:

“Acho que é uma estratégia totalmente apropriada, exatamente para captar esses consumidores que estão indecisos ou pretendem comprar e, de repente, a loja pode terminar vendendo mais artigos ou com um ticket de compra mais alto.”

O economista também sugere que o movimento pode se estender para o próprio domingo, já que muitos shopping centers funcionarão com horário especial:

“Os shoppings, de modo geral, estarão abertos. Então, acredito que isso pode atrair os consumidores que realmente deixaram para a última hora”, pontuou.

📺 Você pode assistir à entrevista completa neste link