O laudo técnico da Polícia Federal, enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concluiu que Bolsonaro é portador de diversas doenças crônicas, atualmente controladas, principalmente em razão de sua idade.
Entre elas: hipertensão arterial sistêmica, apneia obstrutiva do sono em grau severo, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais.
Apesar da lista de diagnósticos, o laudo ressalta que “tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”.
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Os especialistas, contudo, alertam para a necessidade de “otimização” dos tratamentos e medidas preventivas, sobretudo diante do risco de complicações cardiovasculares.
Diante do laudo, a Polícia Federal recomenda “adaptações estruturais” no alojamento, como a instalação de barras de apoio em corredores e boxes de banho, além de campainhas de emergência e dispositivos de monitoramento em tempo real.
Também sugere acompanhamento contínuo nas áreas comuns, avaliação nutricional com prescrição de dieta e tratamento fisioterápico regular, voltado ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio postural.
O parecer técnico, segundo apurou a reportagem com fontes do Poder Judiciário e da Polícia Federal, visa assegurar que o ex-presidente receba “cuidados adequados” sem comprometer a rotina da unidade prisional.
A defesa de Bolsonaro havia alegado que o estado de saúde exigiria condições especiais, mas os peritos concluíram que, com ajustes, o tratamento pode ser realizado dentro da Papuda.
Problemas comuns
A reportagem do Brasil Confidencial obteve dados do Ministério da Saúde sobre a incidência dessas doenças indicadas pela defesa de Jair Bolsonaro entre a população de terceira idade no país. Veja o resultado:
Hipertensão Arterial Sistêmica
Causa principal: envelhecimento vascular, acúmulo de placas ateroscleróticas, sedentarismo, alimentação rica em sal e fatores genéticos.
Incidência: aproximadamente 60% dos idosos brasileiros apresentam hipertensão, sendo a doença crônica mais prevalente nessa faixa etária.
Apneia Obstrutiva do Sono (grau severo)
Causa principal: relaxamento da musculatura da faringe durante o sono, associado à obesidade, envelhecimento e alterações anatômicas das vias aéreas.
Incidência: entre 20% e 30% dos idosos apresentam risco elevado para apneia obstrutiva do sono; os casos severos são menos frequentes, mas têm forte impacto cardiovascular.
Obesidade Clínica
Causa principal: desequilíbrio entre ingestão calórica e gasto energético, associado ao sedentarismo, alterações hormonais e hábitos alimentares inadequados.
Incidência: atinge cerca de 25% dos idosos brasileiros, com maior prevalência em mulheres.
Aterosclerose Sistêmica
Causa principal: acúmulo de placas de gordura e cálcio nas artérias, favorecido por hipertensão, diabetes, tabagismo e envelhecimento natural dos vasos.
Incidência: é altamente prevalente em idosos e responsável por centenas de milhares de mortes anuais no Brasil, sendo a principal causa de doenças cardiovasculares.
Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Causa principal: relaxamento inadequado do esfíncter esofágico inferior, associado ao envelhecimento, obesidade e hábitos alimentares.
Incidência: presente em 12% a 20% da população urbana, com prevalência ainda maior em idosos institucionalizados.
Queratose Actínica
Causa principal: exposição solar crônica e acumulada ao longo da vida, levando a lesões cutâneas pré-malignas.
Incidência: é a lesão pré-maligna mais frequente entre idosos brasileiros, especialmente em regiões de alta exposição solar.
Aderências Intra-abdominais
Causa principal: formação de tecido cicatricial após cirurgias abdominais, inflamações ou infecções.
Incidência: não há estatísticas oficiais específicas para idosos, mas é reconhecida como complicação comum em pacientes submetidos a múltiplas cirurgias.





