Por Germano Oliveira
O Governo do Estado de São Paulo vem consolidando uma política pública inédita e estratégica para a saúde animal: o Programa Pet Contêiner.
A iniciativa, coordenada pela Diretoria de Bem-Estar Animal da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), leva atendimento veterinário gratuito a dezenas de municípios paulistas por meio de consultórios completos instalados em estruturas modulares de 60 m².
Desde 2023, já foram entregues 53 unidades — sendo 32 em 2023 e 16 em 2024 — que beneficiam principalmente cidades de pequeno porte e regiões de maior vulnerabilidade social.
Cada unidade tem capacidade para realizar até 10 atendimentos diários, oferecendo consultas clínicas, vacinação e procedimentos básicos. O modelo funciona em parceria: o Estado fornece a estrutura e os equipamentos, enquanto as prefeituras ficam responsáveis pela gestão e manutenção.
A diretora estadual de Bem-Estar Animal, Rebeca Politi, em entrevista ao programa BC TV, do portal Brasil Confidencial, destacou que o projeto é “um avanço importante na ampliação da rede pública de saúde animal”.
Segundo ela, cuidar dos animais é também cuidar da saúde das pessoas, já que o atendimento clínico básico previne doenças, orienta tutores e melhora a qualidade de vida de cães e gatos.
Até agora, mais de 50 cidades já foram contempladas, entre elas Arealva, Brodowski, Cajobi, Jardinópolis, Capão Bonito, Sorocaba, São José do Rio Pardo e Cananéia. A expansão segue em ritmo acelerado, ampliando o acesso a serviços veterinários públicos em regiões que antes não contavam com esse tipo de atendimento.
Além dos Pet Contêineres, o Estado também investe em clínicas veterinárias de maior porte dentro do programa Meu Pet, voltadas a procedimentos complexos como cirurgias, castrações e exames laboratoriais. Já são unidades em funcionamento em Araçatuba, Votuporanga, Santa Bárbara d’Oeste e Sorocaba, com investimentos que somam R$ 43,6 milhões.
Outro braço da política estadual é o Pro Pet SP, lançado em dezembro de 2025, que prevê 52,8 mil castrações gratuitas até julho de 2026 em 256 municípios, com investimento de R$ 10,5 milhões.
Números que mostram a relevância do programa:
População pet em SP: entre 10 e 12 milhões de cães, 5 a 8 milhões de gatos, além de aves, peixes ornamentais e pequenos mamíferos.
53 Pet Contêineres entregues desde 2023.
Capacidade de até 10 atendimentos diários por unidade.
Mais de 50 cidades beneficiadas até agora.
R$ 43,6 milhões investidos em clínicas Meu Pet.
R$ 10,5 milhões destinados ao Pro Pet SP para castrações.
O Pet Contêiner se consolida como uma ferramenta essencial para democratizar o acesso à saúde animal, fortalecer o vínculo entre tutores e pets e garantir que o cuidado chegue também às regiões mais vulneráveis do Estado.
A seguir, leia alguns dos principais trechos da entrevista:
Germano Oliveira – Rebeca, o programa Pet Contêiner, que você dirige, já entregou 32 unidades recentemente e, desde 2013, soma 52 unidades entregues. O que isso representa para o atendimento animal no Estado de São Paulo?
Rebeca Politi: Isso representa uma ampliação muito importante da rede de atendimento veterinário. É um ganho para o Estado, para os municípios e, principalmente, para os animais e seus tutores.
O Pet Contêiner é uma estrutura completa de consultório veterinário, com recepção, sala de consulta e sala de vacinação. É fruto de uma parceria entre o Estado e os municípios. O Estado faz o investimento, constrói a unidade, entrega os equipamentos e o mobiliário, deixando tudo pronto. Já o município entra com a mão de obra, os insumos e a gestão dos serviços.
É um grande avanço, principalmente para municípios de menor porte, que passam a ter uma estrutura gratuita para atender seus animais.
Germano Oliveira – Esses consultórios já ajudaram a salvar muitos animais. Como funciona esse atendimento? É mais voltado ao pronto atendimento?
Rebeca Politi – Nós temos duas frentes. O Pet Contêiner é uma estrutura fixa, um consultório mesmo. Já o atendimento itinerante acontece pelo programa ProPet SP, que leva castração itinerante aos municípios.
No Pet Contêiner, os veterinários realizam consultas, tratamentos, vacinação e procedimentos clínicos. Para dar um exemplo, o Pet Contêiner de Holambra, após um ano de funcionamento, já atendeu mais de dois mil cães e gatos. Sem dúvida, muitos animais estão sendo cuidados graças a essas unidades.
Germano Oliveira – Apesar de não ser diretamente da sua área, como a senhora vê a questão dos maus-tratos aos animais e a conscientização da população?
Rebeca Politi – Embora a denúncia de maus-tratos seja responsabilidade da Polícia e da Segurança Pública, a Diretoria de Bem-Estar Animal realiza muitas campanhas educativas.
Os Pet Contêineres também funcionam como polos de educação ambiental. Os veterinários orientam os tutores, explicam como denunciar e reforçam a importância do cuidado.
Hoje temos a Delegacia Eletrônica de Proteção Animal no Estado de São Paulo, além dos canais municipais. Infelizmente, os maus-tratos sempre existiram, mas hoje, com redes sociais e maior conscientização, o combate é mais efetivo.
Em 2024, por exemplo, foi sancionada uma lei que aumentou a pena para maus-tratos contra cães e gatos. Isso mostra um movimento da sociedade em defesa dos animais.
Germano Oliveira – Como funciona o processo para um município receber um Pet Contêiner?
Rebeca Politi – Os municípios interessados devem encaminhar um ofício ao governo do Estado ou à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, com justificativa e descrição da necessidade.
Hoje o programa conta com 76 Pet Contêineres distribuídos pelas 14 regiões do Estado, e a meta é atender todas as regiões até o final de 2026. As informações sobre as unidades estão disponíveis no site e nas redes sociais da CEMIL, com os endereços de cada local.
Germano Oliveira – Quantos veterinários atuam em cada unidade? Que tipos de animais são atendidos?
Rebeca Politi – É uma infraestrutura pública de atendimento gratuito, voltada para pets convencionais, ou seja, cães e gatos.
Não é preparada para animais silvestres ou não convencionais. A maior demanda do Estado é de cães e gatos, e o programa foi desenhado para isso.
As unidades contam com consultório, sala de vacinação, recepção e sanitários, garantindo conforto à população e aos animais. O atendimento é realizado por funcionários municipais ou serviços contratados pelas prefeituras.
Germano Oliveira – Como funciona a parceria entre Estado e Prefeitura após a implantação do Pet Contêiner?
Rebeca Politi – As prefeituras precisam comprovar disponibilidade orçamentária, oferecer um local adequado, com fácil acesso, especialmente em áreas de vulnerabilidade social.
Há um convênio formal que define as obrigações. A prefeitura é responsável pela manutenção, pelos insumos e pelos profissionais, garantindo o funcionamento contínuo da unidade.
Germano Oliveira – Quais são os critérios para definir quais municípios recebem os Pet Contêineres?
Rebeca Politi – A seleção é feita com base em critérios técnicos e sociais. O programa já recebeu bilhões de reais em investimentos.
Os Pet Contêineres são voltados a municípios de até 50 mil habitantes, pois a estrutura de 60 metros quadrados é mais compatível com cidades menores.
A localização e o perfil socioeconômico da população também são considerados.
📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV:


