O diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholi durante a entrevista do BC TV


O comércio eletrônico se tornou um motor de crescimento extraordinário para as micro e pequenas empresas brasileiras, com as vendas online disparando 1.200% nos últimos cinco anos. Os números, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, mostram um salto de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em 2024.

Essa revolução digital foi o tema central da entrevista concedida por Marco Vinholi, diretor-técnico do Sebrae-SP, a Germano Oliveira e Camila Srougi, do programa BC TV, veiculado no portal BRASIL CONFIDENCIAL.

Vinholi destacou que a pandemia de COVID-19 atuou como um catalisador para essa transformação, acelerando mudanças de hábitos que já vinham se desenhando. “Há mudança de costumes. Dinâmicas que antes não eram aceitas, que a partir daí foram amplamente aceitas, aconteceram, seja nas relações sociais, sejam nas relações de trabalho, de maneira geral, assim como no e-commerce”, explicou o diretor. Ele usou como exemplo as reuniões por videoconferência, antes consideradas incomuns e hoje “perfeitamente comuns”, assim como o sistema de trabalho home office.

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“Se eu dissesse antes da pandemia que ia fazer uma reunião online por videoconferência, a pessoa ia achar um desrespeito. E depois da pandemia, se tornou perfeitamente comum, assim como o home office”, afirmou Vinholi. Ele ressaltou que a desconfiança inicial em comprar online, presente no começo dos anos 2000, deu lugar a uma familiaridade que começou com livros e viagens e se consolidou em diversos mercados. “O que a gente observa hoje é que, no mundo todo, essa questão do comércio digital tem sido a bola da vez do varejo.”

O varejo do futuro

Para Vinholi, o digital não é mais uma opção, mas parte integrante do DNA dos negócios. Os empreendedores brasileiros, especialmente aqueles que alcançam maior sucesso, já incorporaram essa mentalidade. “Aquele varejista tradicional percebe que a pessoa entra na loja dele, gosta do produto, tira uma foto e fala: ‘não gostei, mas vou comprar na internet porque está mais barato e vai chegar na minha casa amanhã'”, ilustrou.

A estratégia que o Sebrae-SP tem incentivado é o modelo omnichannel, que integra os canais físico e digital. Nesse cenário, as lojas físicas assumem, muitas vezes, o papel de “showrooms”, onde o cliente pode experimentar o produto antes de finalizar a compra online. “É um mix de situações. Hoje você vê essas grandes lojas, elas são como showrooms, a pessoa vai lá, ela não tem um grande estoque, mas no local ela vai conhecer o produto e depois ela compra online”, pontuou Vinholi. Ele ainda comentou: “Essa é a dinâmica do comércio mundial de hoje. E a dica que a gente coloca aqui é para que as pessoas se preparem para o modelo multicanal, o que a gente chama de omnichannel.”

O diretor também mencionou casos de sucesso inspiradores: “Eu vejo todo dia, em uma cidade, a história de um jovem que trabalhava na prefeitura, começou a vender um produto online, deu certo e hoje é o maior vendedor online desse produto.”

Apesar do boom do e-commerce, a questão da renda dos trabalhadores também foi levantada durante a entrevista. Vinholi reconheceu que, embora tenha havido um crescimento substancial da renda brasileira nas últimas três décadas, os anos recentes foram marcados por inflação elevada e juros altos, impactando o poder de compra. “Se a gente comparar 30 anos atrás, sem dúvida houve um crescimento substancial da renda do povo brasileiro. Sem dúvida, esse é um dado. Porém, se a gente observar os últimos anos, a inflação também foi pesada”, ponderou.

Sobre o futuro das lojas físicas, o diretor do Sebrae-SP foi categórico: algumas serão impactadas se não se modernizarem. Contudo, ele enfatizou a importância da experiência do cliente como diferencial. “Para a pessoa ir na loja presencial, um fator primordial é a experiência que ela tem na loja”, afirmou. O Sebrae-SP, inclusive, qualifica empreendedores para criar essas experiências únicas, seja através de ambientes agradáveis, atendimento personalizado ou produtos exclusivos.

“No Sebrae a gente qualifica muitas pessoas para gerarem essa experiência. Tem loja que tem cheiro, tem loja que tem um atendimento personalizado, a outra loja que tem um display bacana, ou que tem um produto que ele só vai encontrar lá”, disse Vinholi, destacando a necessidade de criatividade.

📺 Assista a entrevista completa neste link: