Manifestação de protesto organizada pelo MBL em frente ao Master, na Faria Lima, contra Vorcaro e Toffoli. (Reprodução: Redes Sociais)


A revista britânica The Economist publicou reportagem afirmando que o caso do Banco Master reforça entre brasileiros a percepção de falta de imparcialidade no Supremo Tribunal Federal.

O texto, intitulado A quebra de um banco brasileiro envolve políticos e juízes, diz que as consequências da liquidação do Banco Master “estão ficando feias”.

Segundo a revista, a crise poderia ter terminado em novembro, com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e a liquidação da instituição pelo Banco Central. Mas os efeitos da falência se estenderam porque Vorcaro mantinha relações com políticos, empresários e integrantes do Judiciário.

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A reportagem cita inspeção determinada pelo ministro do Tribunal de Contas da União, Jhonatan Jesus, no Banco Central. Destaca também doações do cunhado de Vorcaro, o bispo Fabiano Zettel, às campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Outros episódios mencionados são a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília, apoiada pelo governador Ibaneis Rocha; contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes para defender o banco; viagem do ministro Dias Toffoli em avião de advogado ligado ao Master; e investimentos de Zettel em resort associado à família Toffoli.

A revista ressalta que não há comprovação de ilegalidades, mas afirma que esses vínculos reforçam a impressão de falta de imparcialidade no Supremo.

Segundo a publicação, o presidente do STF, Edson Fachin, sugeriu a adoção de um código de ética inspirado no modelo alemão, mas a proposta não foi aceita pelos colegas.

A Economist aponta como vencedor da crise o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que resistiu às pressões para salvar o Master. Ele defendeu que o Congresso conceda ao banco autonomia administrativa, orçamentária e financeira, além da autonomia operacional já existente.

Entenda a liquidação do Banco Master

A liquidação ocorreu em 18 de novembro, no mesmo dia em que a operação Compliance Zero levou à prisão de Vorcaro e de outros executivos.

No fim do mês, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região concedeu habeas corpus e determinou a soltura de Vorcaro e ex-diretores. Eles estão com tornozeleira eletrônica e proibidos de atuar no setor financeiro, de manter contato com investigados e de deixar o país.

A quebra do Master é considerada a maior da história em impacto para o Fundo Garantidor de Créditos. O banco tinha R$ 41 bilhões em CDBs. Segundo o FGC, 1,6 milhão de investidores poderão ser ressarcidos.

A Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes na concessão de créditos, emissão de títulos irregulares e criação de carteiras falsas. Essas operações teriam movimentado valores bilionários e sustentado a tentativa de venda da instituição ao BRB.