O Parlamento atua com a intenção de defender privilégios de poucos. (Foto: Senado)


O economista-sênior da consultoria LCA e pesquisador-associado da FGV, Bráulio Borges afirmou que as propostas de aumento de impostos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afetam mais os ricos do que os pobres.

Em entrevista à BBC News Brasil, Borges criticou a resistência do Congresso em aprovar as medidas, alegando que o Parlamento está mais interessado em manter seus privilégios e aumentar o “preço” do apoio ao governo.

Borges argumenta que o governo precisa adotar mais medidas de contenção de gastos para equilibrar as contas públicas. No entanto, ele se irrita com a postura do Congresso, que, em sua opinião, quer “posar como se fosse o adulto na sala” enquanto atrapalha o ajuste fiscal.

Continua depois da publicidade

O economista destaca que o Congresso aprovou benefícios tributários para empresas que desfalcaram a arrecadação, como a prorrogação do programa emergencial Perse e a desoneração da folha de pagamentos. Além disso, o Parlamento aumentou as emendas parlamentares, que mais que quadruplicaram a partir de 2020.

Borges critica as emendas parlamentares, que considera uma “excrescência”. Ele argumenta que as emendas não deveriam ultrapassar R$ 10 bilhões por ano, mas atualmente estão em R$ 50 bilhões.

A Reforma Administrativa

O economista concorda que a reforma administrativa é importante para melhorar o serviço público, mas discorda que ela resolverá os problemas fiscais do Brasil. Ele afirma que a reforma faria apenas “cócegas” na questão fiscal, gerando uma economia de até R$ 3 bilhões.

Borges acredita que a responsabilidade pela crise fiscal é compartilhada entre o governo e o Congresso. Ele destaca que o Congresso tem dado “muitas bolas nas costas do ajuste” e que a Lei de Responsabilidade Fiscal precisa ser modernizada para incorporar maior responsabilização de todos.

O economista concorda com a proposta de aumento do IOF e de impostos sobre títulos financeiros, argumentando que as medidas afetam mais os ricos do que os pobres. Ele também destaca que a reação contra a alta do IOF e a tributação desses títulos é motivada por interesses econômicos e políticos.

Borges afirma que, se o governo não conseguir aprovar o aumento de impostos, precisará buscar receita atípica para fechar as contas de 2025. Ele destaca que a falta de dinheiro pode afetar despesas essenciais, como o PAC, e que o governo pode ter dificuldade para pagar contas e cumprir a meta fiscal.