O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) confirmou a detenção do empresário Esdras Jônatas dos Santos, investigado por participação e liderança em atos antidemocráticos após as eleições de 2022. Santos está custodiado no Centro de Detenção do Condado de Glades, em Moore Haven, Flórida. No Brasil, o empresário é alvo de mandado de prisão preventiva e figura em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Em janeiro de 2023, o ministro relator Alexandre de Moraes já havia determinado o cancelamento de seu passaporte e o bloqueio de seus ativos financeiros. Santos ganhou notoriedade por liderar acampamentos em frente a quartéis em Belo Horizonte, onde se pleiteava intervenção militar contra o resultado das urnas.
A prisão pelo ICE, contudo, inaugura um processo administrativo-migratório em solo americano sob a jurisdição da Justiça de Imigração dos EUA, e não implica em extradição automática. O detido permanece sob custódia administrativa enquanto sua situação legal é analisada, possuindo direito à defesa e podendo impetrar recursos para evitar a deportação ou solicitar asilo. A efetiva vinda do investigado ao Brasil depende da conversão da detenção migratória em um processo de cooperação internacional formal, baseado nos tratados bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.
Em movimento paralelo, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão definitiva de outros sete réus condenados pelos ataques de 8 de janeiro. A decisão ocorre após o trânsito em julgado das sentenças, fase processual em que não cabem mais recursos. Entre os detidos pelo Exército e pela Polícia Federal estão o major da reserva Ângelo Martins Denicoli, o subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues, o tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida e o major da reserva Ailton Gonçalves Moraes Barros. O policial federal Marcelo Araújo Bormevet, que já estava em prisão preventiva, passará a cumprir pena definitiva.
Permanecem fora do alcance das autoridades brasileiras o coronel do Exército Reginaldo Vieira de Abreu, que se encontra nos Estados Unidos, e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, considerado foragido desde dezembro de 2023. As penas impostas pelo STF variam entre sete e 17 anos de prisão em regime fechado, com exceção de Rocha, condenado ao regime semiaberto. O grupo foi condenado por crimes que incluem abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.




