Navio americano na área de entrada do Estreito de Ormuz. (Reprodução: TV)


A crise no Estreito de Ormuz ganhou novo capítulo neste domingo (3), após o exército iraniano afirmar que disparou tiros de advertência contra contratorpedeiros americanos que se aproximavam da passagem marítima. Segundo Teerã, os navios desligaram seus radares antes de entrar na área e foram detectados ao reativá-los. A Marinha iraniana teria enviado mensagens de rádio alertando sobre os riscos de violar o cessar-fogo e advertido que qualquer tentativa de cruzar o estreito seria considerada uma agressão.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) nega que seus navios tenham sido atingidos e afirma que dois cargueiros com bandeira americana transitaram com sucesso pela rota, escoltados por destróieres da Marinha. Ferramentas de rastreamento como o MarineTraffic não identificaram embarcações compatíveis, mas especialistas lembram que navios podem desligar seus sistemas de localização ou falsificar posições.

O episódio já provoca reflexos econômicos. O preço do petróleo disparou para US$ 114 por barril, uma alta de 5% em relação à abertura do mercado, após o anúncio iraniano de que teria atingido um contratorpedeiro americano. Além disso, milhares de marinheiros continuam presos na região desde o início da guerra, com relatos de escassez de suprimentos.

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Nos Emirados Árabes Unidos, moradores receberam alerta de míssil do Ministério do Interior, seguido de mensagem tranquilizando a população de que “a situação está segura no momento”. Ainda não se sabe o que motivou o aviso.

Analistas militares avaliam que qualquer plano de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz traz riscos significativos. O capitão aposentado da Marinha dos EUA, Kevin Eyer, destacou que o Irã dispõe de mísseis balísticos antinavio, centenas de drones e barcos-patrulha rápidos armados com foguetes, o que torna a operação altamente complexa.

Entre versões conflitantes, o cenário permanece incerto: o Irã insiste que qualquer tentativa de cruzar o estreito sem sua permissão será considerada violação do cessar-fogo, enquanto os Estados Unidos afirmam que já estão garantindo a passagem de navios mercantes. A disputa reforça a fragilidade da segurança na região e amplia os riscos para o comércio global de energia.