Edifício do Banco Central da Venezuela: EUA afrouxam embargos. (Foto: BCV)


O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos flexibilizou de forma significativa, nesta quarta-feira (15), as sanções impostas à Venezuela. A medida autoriza transações financeiras com quatro instituições bancárias sob controle estatal — incluindo o Banco Central da Venezuela — e com funcionários do governo que até então estavam com ativos bloqueados.

As duas novas licenças, assinadas por Bradley T. Smith, diretor do Ofac (órgão de controle de ativos estrangeiros), permitem operações antes proibidas pelo regime punitivo que Washington endurecia progressivamente desde 2017. Além do Banco Central, foram beneficiados o Banco de Venezuela S.A., o Banco Digital de los Trabajadores e o Banco del Tesoro. A autorização se estende a qualquer entidade com participação direta ou indireta dessas instituições igual ou superior a 50%.

Na prática, a decisão oferece um alívio financeiro pleiteado pela vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez. A partir de agora, bancos correspondentes, processadores de pagamentos e plataformas de remessas com sede nos EUA podem prestar serviços às entidades autorizadas. Estão liberadas transferências bancárias, câmbio de divisas, serviços de cartões, depósitos e operações de folha de pagamento.

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A medida ocorre no contexto da intervenção americana no país após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Há mais de cem dias Washington dita o ritmo de decisões estratégicas em Caracas, desde leis para exploração de minérios e petróleo até nomeações de cargos-chave.

O anúncio é visto como um fôlego político para Delcy Rodríguez e chegou antes do previsto por analistas. Especulava-se que Washington condicionaria o alívio à renovação total da diretoria do Banco Central. No entanto, Rodríguez enfrentava dificuldades para preencher as vagas: candidatos aptos estariam rejeitando os postos para não arriscar a reputação em uma gestão considerada incerta.

Apesar da abertura, não se trata de um levantamento total do embargo. O documento do Tesouro ressalva que o desbloqueio de ativos não está autorizado e que qualquer transação não especificada nas licenças continua proibida, dependendo de autorização prévia.