Cargueiro parado no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, Irã, nesta segunda-feira (4). (Reprodução: TV)


O cessar-fogo no Oriente Médio voltou a ser colocado em xeque nesta terça-feira (5), após novos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz. Teerã atacou embarcações ligadas ao “Projeto Liberdade”, iniciativa americana para garantir a abertura da via marítima estratégica.

Um alto funcionário americano afirmou que o Irã “ainda nem começou” o impasse sobre o estreito, reforçando que a situação permanece crítica.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou em coletiva no Pentágono que o cessar-fogo “não havia acabado”, apesar dos ataques.

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Segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, o Irã já atacou forças americanas mais de dez vezes desde o anúncio da trégua, mas os incidentes ainda estariam “abaixo do limite para reiniciar grandes operações de combate”.

Confrontos no mar

De acordo com o exército americano, forças iranianas lançaram mísseis de cruzeiro, drones e pequenas embarcações contra navios escoltados pelos EUA. Nenhum navio americano foi atingido, mas o presidente Donald Trump afirmou que oito barcos iranianos foram destruídos.

Dois navios mercantes com bandeira americana conseguiram atravessar o estreito sob escolta militar. A gigante marítima MAERSK confirmou que uma de suas embarcações foi protegida por forças dos EUA.

Hegseth destacou que centenas de navios de diferentes países aguardam para cruzar a rota e disse que os militares americanos estão em contato ativo com eles. “Como um presente direto dos Estados Unidos ao mundo, estabelecemos uma poderosa cúpula vermelha, branca e azul sobre o estreito”, afirmou.

Reações do Irã

O Irã negou que navios comerciais tenham conseguido atravessar com sucesso e disse que nenhuma de suas embarcações sofreu danos. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que Teerã “nem sequer começou ainda” sua resposta.

O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reforçou que não há “solução militar para uma crise política” e chamou o “Projeto Liberdade” de “Projeto Impasse”.

Escalada regional

As hostilidades também atingiram um navio sul-coreano, que sofreu explosão e incêndio. Trump pediu que a Coreia do Sul se junte à missão, enquanto Seul avalia a proposta.

Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades relataram terem sido alvo de 12 mísseis balísticos, três mísseis de cruzeiro e quatro drones disparados do Irã, causando incêndio em uma instalação de petróleo e ferindo três cidadãos indianos.
Araghchi alertou EUA e Emirados contra “serem arrastados de volta para o atoleiro”. Ele também anunciou viagem a Pequim, enquanto a

China sofre pressão internacional para ajudar a encerrar a guerra. O Paquistão, por sua vez, pediu calma às partes envolvidas.

Impacto econômico

Os mercados reagiram com volatilidade: o preço do petróleo recuou, mas continua acima de US$ 100 por barril. Nos EUA, a gasolina subiu para US$ 4,48 por galão.

Armadores e operadores de navios seguem cautelosos. Bjorn Hojgaard, CEO da Anglo-Eastern Univan Group, afirmou que “a maioria dos proprietários prudentes ainda prefere manter posição em vez de expor embarcações e tripulações à incerteza”.

John Stawpert, da Câmara Internacional de Navegação, disse que ainda há “enorme quantidade de incerteza sobre o que o Projeto Liberdade realmente significa”.