A semana na Europa começou nesta segunda-feira (3) com mais dúvidas do que certezas sobre o futuro da Ucrânia e a segurança do Continente diante de uma política expansionista desenhada pelo líder russo Vladimir Putin, com anuência de Donald Trump.
O fim de semana foi de encontros e reuniões entre os chefes de estado europeus.
Com o primeiro-ministro britânico, Kir Starmer, como mediador, os líderes dos países da Europa discutiram um plano para acabar com os conflitos na Ucrânia.
Eles concordaram em manter a ajuda militar e pressão econômica sobre a Rússia para permitir a Kiev chegar a uma posição de força em futuras negociações de paz, anunciou Keir Starmer. “Este dinheiro virá de bens apreendidos da Rússia”, disse o chefe do governo britânico, na Lancaster House, em Londres.
O Reino Unido e a França trabalharão em conjunto com Ucrânia para chegar a um plano de paz “para parar os combates”.
Esse plano será apresentado depois a Washington, reiterou o premiê. “A Europa deve fazer um trabalho duro, mas para defender a paz em nosso continente e ter sucesso, esse esforço deve ser fortemente apoiado pelos Estados Unidos”, afirmou o líder britânico.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, insistiu neste domingo (2) que o Ocidente deve resistir à “chantagem e à agressão” da Rússia, pedindo unidade entre a Europa e os Estados Unidos sobre a questão ucraniana. Tusk acrescentou que “tudo deve ser feito para garantir que a Europa e os Estados Unidos falem a uma só voz”.
Mais cedo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que a Europa precisa “urgentemente” se rearmar. Em declarações aos repórteres, ela anunciou que apresentaria “um plano abrangente sobre como rearmar a Europa”, durante a cúpula especial de defesa da UE, na próxima quinta-feira (6), citando a necessidade de aumentar os gastos com defesa “por um período de tempo prolongado”.
A reunião, que estava planejada há muito tempo em Londres se transformou em uma reunião de crise, depois do mal-estar entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump, o que precipita a urgência dos ucranianos em ver a Europa substituir os americanos em questões de defesa continental. Os ucranianos esperam que os países da UE consigam fornecer os meios para isso, relata a correspondente da RFI em Kiev, Emmanuelle Chaze.
Volodymyr Zelensky foi recebido calorosamente pelos outros 18 participantes da reunião, na qual estão o presidente francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Olaf Scholz, o secretário-geral da Otan Mark Rutte e o presidente do governo espanhol Pedro Sánchez, entre outros.
Zelensky chegou a Londres no sábado (1º), onde foi calorosamente recebido pelo primeiro-ministro Keir Starmer. “Você é bem-vindo a Downing Street. “Você tem o apoio do povo britânico em todo o Reino Unido e estamos absolutamente determinados a apoiá-lo e a alcançar uma paz duradoura para a Ucrânia”, disse o britânico.
No sábado, Londres e Kiev assinaram um acordo para um empréstimo de 2,26 bilhões de libras (R$ 16,7 bilhões) para apoiar a Ucrânia em sua defesa. O empréstimo será pago com os lucros dos ativos russos congelados na Europa. “O dinheiro será usado para produzir armas na Ucrânia”, explicou Zelensky, “grato ao povo e ao governo do Reino Unido”.
A imprensa britânica destaca a relação especial que o Reino Unido tem com os Estados Unidos e como Zelensky poderia ter em Starmer um aliado para restaurar a negociação com a Casa Branca.
“O Reino Unido e a França estão liderando a discussão, e é por isso que trabalharei com o presidente Macron. Este é um passo na direção certa.
Precisamos adotar um ritmo mais rápido e flexível, “explicou Keir Starmer.
Os ucranianos esperam para ver quais anúncios concretos são possíveis do lado europeu. Isso inclui desde ajuda militar com veículos, munição e defesa aérea até outras formas de participação, como treinamento de soldados ucranianos ou estabelecimento de uma força de manutenção da paz pan-europeia, que poderia ser enviada à Ucrânia.
A ideia de uma dissuasão nuclear europeia compartilhada também é levantada, depois que a Alemanha trouxe o assunto à pauta. “No curto prazo, obviamente, a margem de manobra dos europeus é muito estreita, praticamente inexistente”, analisa Alain de Neve, pesquisador do Instituto Real Superior de Defesa de Bruxelas. “A dimensão europeia da dissuasão nuclear poderia, portanto, permitir que a Europa ganhasse tempo para reconstruir suas forças e construir proteção adicional “, completa.
Charles III
Na tarde deste domingo (3), o presidente ucraniano foi recebido pelo rei Charles III em sua residência no leste da Inglaterra, após Volodymyr Zelensky ter participado da cúpula de líderes aliados de Kiev, em Londres, informou o Palácio de Buckingham.
A reunião em Sandringham acontece dois dias após a discussão acalorada entre o líder ucraniano e o presidente dos EUA, Donald Trump. O republicano foi convidado para uma visita de Estado ao Reino Unido, a segunda depois da de 2019. O convite do soberano foi entregue a Trump na quinta-feira pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer.


