Beirute, a capital do Líbano, está sendo destroçada pelas forças militares de Israel. (Reprodução: TV)


O Exército de Israel anunciou nesta segunda-feira (16) o início de operações terrestres limitadas contra posições do Hezbollah no sul do Líbano. Segundo comunicado, a ação tem como objetivo reforçar a defesa na fronteira norte do país e desmontar infraestrutura considerada terrorista.

Antes da entrada de tropas, Israel realizou ataques aéreos e de artilharia contra alvos no território libanês. O Líbano entrou na guerra em 2 de março, após ofensiva do Hezbollah em resposta à morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, em ataque israelense em Teerã no fim de fevereiro.

Desde então, Israel intensificou os bombardeios no Líbano, que deixaram cerca de 850 mortos e provocaram o deslocamento de mais de 830 mil pessoas, segundo autoridades locais. No conflito anterior entre Israel e Hezbollah, em 2023 e 2024, 60 mil israelenses foram retirados do norte do país.

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No domingo (15), um ataque israelense matou um dirigente do Hamas no sul do Líbano, segundo o grupo palestino, aliado do Hezbollah. O Hamas afirmou ter atingido uma base aérea no centro de Israel com um míssil. Ainda no domingo, Israel bombardeou a periferia sul de Beirute, após ordenar a retirada de moradores de vários bairros. A Força Interina da ONU no Líbano (Finul) informou que capacetes azuis foram alvo de disparos no sul do país.

Bombardeios no Irã

Israel também manteve ataques em Teerã nesta segunda-feira, com novas explosões registradas ao meio-dia. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que os bombardeios contra depósitos de combustível violam o direito internacional e configuram “ecocídio”.

O Irã respondeu com ofensivas contra bases militares e interesses econômicos dos Estados Unidos em países do Golfo, além de aeroportos, portos e instalações petrolíferas. Nos Emirados Árabes Unidos, o aeroporto de Dubai suspendeu operações por algumas horas após ataque com drone. Outro ataque provocou incêndio em área industrial de Fujairah, na costa do Golfo de Omã.

Arábia Saudita intercepta drones

A Arábia Saudita informou ter interceptado 61 drones no leste do país. O preço do petróleo, que vinha em alta desde o início da guerra, se estabilizou em torno de US$ 100 o barril. Na semana passada, países da Agência Internacional de Energia decidiram liberar 400 milhões de barris de reservas estratégicas. O Japão começou a usar parte de seus estoques nesta segunda-feira, o equivalente a 15 dias de consumo nacional.

Em entrevista ao Financial Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que a Otan e a China enviem navios de guerra ao estreito de Ormuz, rota de um quinto do tráfego mundial de petróleo e gás. Ele afirmou que a Marinha americana deve começar em breve a escoltar petroleiros na região e ameaçou “consequências muito ruins” para a aliança caso não haja adesão.

Trump também disse que pode adiar viagem à China, prevista para 31 de março, se Pequim não se envolver. Japão e Austrália descartaram enviar navios.

Possível negociação

O presidente americano afirmou ainda que discute com o Irã um possível fim da guerra, embora considere que o país “não esteja totalmente pronto”. Teerã não confirmou negociações.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse ter pedido ao iraniano Massoud Pezeshkian que interrompa imediatamente os ataques contra países da região e restabeleça a liberdade de navegação no estreito de Ormuz. “A escalada descontrolada mergulha toda a região em um caos com consequências graves”, escreveu no X.