O vice-presidente da ABCOMM, Rodrigo Bandeira durante a entrevista no BC TV


O comércio eletrônico brasileiro alcançou um crescimento impressionante nos últimos seis anos, saltando de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em faturamento — um aumento de 1.200%.

Em entrevista ao canal BC TV nesta quinta-feira (26), o vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCOMM), Rodrigo Bandeira, analisou os fatores que impulsionaram esse avanço e traçou um panorama promissor para os próximos meses.

“O que vimos nos últimos anos foi uma verdadeira transformação do varejo. A pandemia acelerou um movimento que já estava em curso, mas que ganhou potência com o fechamento das lojas físicas”, afirmou. “O consumidor foi obrigado a experimentar o digital e acabou descobrindo a conveniência que ele oferece.”

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Em 2024, o setor movimentou R$ 225 bilhões, e o crescimento entre micro e pequenas empresas foi ainda mais expressivo. “As vendas online dessas empresas saltaram mais de 1.200% em cinco anos. Isso mostra que o digital não é apenas para grandes players — ele se tornou o motor de sobrevivência e crescimento de quem sabe aproveitar as oportunidades.”

Apesar do otimismo, Bandeira não ignorou os gargalos do setor, como a logística e a falta de padronização de tamanhos no segmento de moda. “Hoje, uma loja de roupas pode ter até 25% de devoluções por problemas com medidas. Isso é um pesadelo para o pequeno empreendedor, porque representa perda de receita e aumento nos custos operacionais”, explicou. “O frete, então, ainda é um dos calcanhares de Aquiles do e-commerce brasileiro. Os custos são altos, principalmente para quem está começando.”

Ele também ressaltou como o ecossistema logístico tem buscado soluções criativas. “Estamos vendo parcerias com motoristas de aplicativo e cooperativas locais para reduzir o tempo e o custo de entrega. É um movimento importante para tornar o comércio eletrônico mais acessível.”

Para 2025, a previsão é de um crescimento de aproximadamente 15%, impulsionado por datas sazonais e avanços tecnológicos. “Entramos no segundo semestre com boas perspectivas. Datas como o Dia dos Pais, o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal devem aquecer o mercado”, disse. “Mesmo com um cenário macroeconômico instável, o consumidor segue apostando no digital.”

Além disso, Bandeira destacou que os meios de pagamento também impulsionam esse crescimento. “O Pix foi revolucionário, e o Real Digital promete ser mais um marco. Essas inovações trazem agilidade, segurança e confiança para quem compra e para quem vende.”

Segundo ele, o maior diferencial do setor hoje é a experiência. “As pessoas não compram apenas produtos, elas compram confiança, agilidade, bom atendimento. Quem entende isso, cresce.”

📺 Assista entrevista completa acessando o link: