Abate de bovinos em frigoríficos: mercado americano tem retração. (Reprodução: Rede social)


As exportações brasileiras de carne bovina vêm mostrando um panorama robusto em 2025, com crescimento expressivo no primeiro semestre — mas com variações importantes entre destinos específicos, especialmente os Estados Unidos.

Segundo os dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC):

  • Junho de 2025 marcou o melhor desempenho mensal do ano:• US$ 1,428 bilhão em receita, alta de 50% frente a junho de 2024.
  • 271,2 mil toneladas embarcadas, aumento de 23,3%.
  • Primeiro semestre de 2025:• US$ 7,23 bilhões em exportações (+27,1% em relação a 2024).
  • 1,47 milhão de toneladas embarcadas, crescimento de 13,4%. Principais Destinos com Crescimento:
  • China: liderou com US$ 3,22 bilhões e 641,1 mil toneladas (+28,2% em valor).
  • México: aumento extraordinário de 235,7%, totalizando US$ 276,3 milhões.
  • Chile: alta de 37,4%, com US$ 315,5 milhões em receita.
  • União Europeia: crescimento de 37,3% em junho.

Esses resultados consolidam a confiança dos mercados internacionais e fortalecem a cadeia produtiva brasileira, segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa.

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Queda significativa com os EUA

Apesar do recorde histórico no primeiro semestre — 156 mil toneladas vendidas para os EUA, maior volume desde 1997 — houve uma forte retração nos meses seguintes:

  • Abril de 2025: pico de 47.836 toneladas exportadas aos EUA.
  • Maio: queda para 27.413 toneladas.
  • Junho: nova redução para 18.232 toneladas.
  • Até 21 de julho: apenas 9.745 toneladas embarcadas.

Essas quedas são atribuídas à sobretaxa anunciada pelo presidente Donald Trump:

  • Abril: acréscimo de 10% na tarifa, totalizando 36,4%.
  • Agosto: nova taxa de 50%, somada à tarifa-base de 26,4%, resultando em 76,4% de imposto total sobre a carne bovina brasileira.

Essa carga de impostos freou significativamente as compras americanas e contradiz a tendência geral de crescimento do setor. Ou seja, o setor cresceu como um todo, mas caiu fortemente no mercado específico dos Estados Unidos, após abril.