A prisão da deputada Carla Zambelli (PL-SP) na Itália, na terça-feira, 29 de julho, intensificou o ambiente político no Congresso Nacional e direcionou atenção a outros parlamentares com processos de cassação em andamento, como Glauber Braga (PSOL-RJ), André Janones (Avante-MG) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Zambelli foi detida após ter sido condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça e falsidade ideológica. A deputada havia se licenciado do mandato e se deslocado para Roma no início de junho. A localização de Zambelli em um apartamento no bairro Aurélio foi possível graças à colaboração entre a Polícia Federal brasileira, por meio do adido na embaixada, e as autoridades italianas.
O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, foi quem forneceu o endereço de Zambelli à polícia. Em publicação na plataforma X (anteriormente Twitter), Bonelli declarou: “Carla Zambelli está em um apartamento, em Roma. Forneci o endereço à polícia, neste momento a polícia está identificando Zambelli”. Bonelli, que é ativista ambiental e presidente da coligação Aliança Verde-Esquerda, vinha pressionando o governo italiano desde junho pela extradição da parlamentar e pela revogação de sua cidadania italiana.
Especialistas estimam que o processo de extradição pode se estender por até dois anos, a depender dos desdobramentos judiciais. O procurador regional da República Vladimir Aras afirmou que “na pior das hipóteses, ela estará solta em breve, devido ao espaço para decisão política, como é comum em extradição”. A decisão sobre a legalidade da prisão provisória agora está a cargo da Justiça italiana. Caso a prisão seja confirmada, o Brasil terá um prazo de 45 dias para formalizar o pedido de extradição.
A defesa de Zambelli informou que a deputada prefere ser julgada na Itália antes de considerar um pedido de asilo político. O advogado Fábio Pagnozzi declarou: “Ela tem direito a ser julgada também na Itália. Antes de apelar para um pedido de asilo político, ela prefere que seja um lugar democrático”. Pagnozzi complementou que “ela não está tentando fugir de nenhuma consequência, mas quer passar pelas instâncias que todo mundo merece. Isso é democracia e justiça”.
Com a prisão de Zambelli, a presidência da Câmara dos Deputados reforçou que apenas a cassação pode ser deliberada pela Casa. O caso foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e aliados da deputada demonstram preocupação de que os processos contra Janones e Braga ganhem impulso com o ocorrido.
A atuação de Bonelli gerou ampla repercussão entre brasileiros nas redes sociais. Uma internauta comentou: “Vamos providenciar pra esse querido um CPF, carteirinha do SUS, uma caipirinha, um chinelo havaianas e uma cadeira na praia :)”. Outro usuário publicou: “Dia 29 de julho, dia de Angelo Bonelli!”.


