A holding Fictor, que em novembro de 2025 anunciou intenção de adquirir o Banco Master por R$ 3 bilhões, enfrenta uma crise de liquidez que já provoca atrasos em resgates de investidores e investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em reunião interna, o diretor da companhia, Rafael Paixão, afirmou que “o mercado quer que a Fictor quebre”, responsabilizando a mídia e os agentes financeiros pela deterioração da imagem da empresa.

Segundo a Fictor, há cerca de R$ 6,5 bilhões em ativos sob gestão, mas parte deles vem sendo negociada com deságio superior a 50% para levantar caixa imediato.

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O portal Fincred Notícias destacou que a holding tenta vender ativos avaliados em R$ 6,5 bilhões por apenas R$ 3 bilhões, em busca de liquidez para honrar compromissos. “Estamos trabalhando para regularizar os pagamentos até fevereiro”, disse a empresa em comunicado enviado aos clientes.

A crise ganhou contornos regulatórios quando a CVM abriu investigação sobre suposta oferta irregular de investimentos. O órgão apura se a Fictor captou recursos de forma indevida, prometendo retornos acima da média de mercado sem a devida transparência. A suspeita é de que a holding tenha atuado como instituição financeira sem autorização formal.
Os atrasos em resgates começaram em dezembro, afetando centenas de investidores. A empresa admitiu dificuldades de caixa e prometeu regularização, mas até agora não conseguiu cumprir os prazos.
Em nota, a Fictor reiterou que “não há risco de insolvência” e que a venda de ativos permitirá recompor o fluxo de pagamentos.
Apesar disso, analistas ouvidos por diferentes veículos apontam que a situação é delicada e pode evoluir para insolvência caso não haja aporte externo ou renegociação de dívidas.
A tentativa de compra do Banco Master, anunciada como um movimento de expansão, acabou se tornando símbolo da fragilidade da holding. O negócio não avançou e, diante da crise, a Fictor passou a ser alvo de desconfiança generalizada.
“O mercado quer que a Fictor quebre”, repetiu Rafael Paixão, em tom de denúncia contra o ambiente financeiro, mas a frase acabou reforçando a percepção negativa sobre a companhia.