A decisão de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, projeta uma sombra sobre a balança comercial paulista, diz a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
Dados do primeiro semestre de 2025 já revelam um déficit de US$ 5,87 bilhões para o estado de São Paulo, um cenário que, segundo especialistas, pode se agravar significativamente com a medida tarifária.
Levantamento do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, com base em informações do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), destaca a forte dependência do mercado norte-americano.
Das 39 regiões paulistas analisadas, 33 tiveram os Estados Unidos entre os três principais destinos de suas exportações no primeiro semestre. Em 13 delas, o país foi o maior comprador.
Rafael Cervone, presidente do Ciesp e primeiro vice da Fiesp, alerta para a gravidade do impacto.
“Os números dimensionam a gravidade do impacto que poderá ter a tarifa adicional de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump”, afirmou.
Praticamente todo o Estado de São Paulo exporta para os EUA, o que torna a ameaça ainda mais contundente.
As exportações paulistas totais no primeiro semestre alcançaram US$ 36,48 bilhões, uma queda de 1,1% em relação ao mesmo período de 2024. Já as importações apresentaram um crescimento de 17,2%, totalizando US$ 42,35 bilhões. Há um ano, o saldo da balança comercial paulista era positivo em US$ 741 milhões, evidenciando uma inversão preocupante.
Cervone criticou a postura de Trump, classificando-a como uma medida que “ultrapassa os limites da diplomacia ao utilizar a questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica”.
Ele ressaltou que tal atitude causará “prejuízos concretos e imediatos às relações comerciais, afetando diretamente as forças produtivas, os trabalhadores e toda a sociedade”. O empresário defende que o Brasil foque no aspecto econômico e deixe de lado a questão política.
Apesar da tensão, o presidente do Ciesp manifestou a expectativa de uma solução negociada, defendendo que o momento é de ponderações e diálogo.
Cervone refutou a justificativa de Trump de que a balança comercial bilateral é desfavorável aos Estados Unidos, apresentando dados que mostram um superávit norte-americano de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens com o Brasil na última década, montante que sobe para US$ 256,9 bilhões ao incluir os serviços.
“Questões pessoais e ideológicas de governantes não podem prevalecer nas relações internacionais, sob pena de causarem danos severos e de difícil reparação”, enfatizou Cervone.
Regiões
Treze regiões paulistas tiveram os Estados Unidos como principal comprador no primeiro semestre de 2025, incluindo Araraquara, Campinas, Guarulhos e São José dos Campos. Por outro lado, regiões como Vale do Ribeira e São Bernardo do Campo não tiveram os EUA entre os três maiores destinos de suas exportações.
As exportações paulistas mais relevantes para os Estados Unidos concentram-se em máquinas e instrumentos mecânicos, combustíveis minerais, açúcares, automóveis e tratores, além de aeronaves e borracha. Quanto às importações vindas dos EUA, destacam-se máquinas e equipamentos mecânicos, produtos farmacêuticos e plásticos, indicando uma forte presença de bens de capital e insumos cruciais para a indústria local.


