A fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encerrou o ano de 2025 com 3,039 milhões de pedidos aguardando resposta. O número representa um recorde na gestão atual e é o maior valor registrado na série histórica desde 2008.
Do total de pedidos, 62,6% estão parados há mais de 45 dias, estourando o prazo legal para concessão.
A lista inclui aposentadorias, pensões, auxílios-doença e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.
Mesmo com medidas como o bônus de produtividade para servidores e a contratação de novos peritos, o estoque de processos seguiu em alta nos últimos três anos.
Se descontados os pedidos que dependem apenas de documentos dos segurados, a fila real ainda soma 2,682 milhões de requerimentos.
Por que a fila não para de crescer?
Especialistas e técnicos do governo apontam uma combinação de fatores estruturais e conjunturais para o gargalo:
- Déficit de pessoal: O quadro de servidores da Previdência encolheu cerca de 40% entre 2010 e 2022.
- Demanda alta: Entram no sistema entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de novos pedidos todos os meses.
- Flexibilização do BPC: Mudanças nos critérios de acesso elevaram a busca pelo benefício assistencial.
- Complexidade: Aposentadorias rurais e perícias médicas exigem análises presenciais e documentação rigorosa, o que trava o fluxo digital.
Para Luis Felipe Lopes Martins, professor da FGV Direito Rio, o problema é histórico. “Eventos como a corrida pré-Reforma da Previdência de 2019 e o represamento da pandemia criaram picos de demanda que o órgão ainda não conseguiu absorver”, avalia.
Impacto de R$ 26 bilhões nas contas públicas
Além do drama social de quem espera pelo sustento, a fila esconde um “esqueleto” fiscal. Quando os benefícios são finalmente concedidos, o governo precisa pagar os valores retroativos, algo que não está totalmente provisionado no Orçamento.
A XP Investimentos calcula que a despesa previdenciária para 2026 está subestimada em R$ 9,5 bilhões.
No caso do BPC, o buraco pode ser de outros R$ 9,5 bilhões.
“Se a fila fosse reduzida hoje para o nível considerado neutro (1,3 milhão de pedidos), o impacto imediato nos cofres públicos seria de R$ 26 bilhões”, explica Tiago Sbardelotto, economista da XP.
O que diz o governo
O Ministério da Previdência Social afirma que tem reforçado as ações para reduzir o tempo de espera. Entre as principais frentes estão:
- Contratação de 500 novos peritos médicos.
- Uso de teleatendimento para perícias.
- Realização de mutirões aos finais de semana.
Procurado, o INSS não se manifestou.





