O ex-secretário de habitação do estado de São Paulo e empresário, Flavio Amary durante a entrevista do BC TV.


Em entrevista ao BC TV, do BRASIL CONFIDENCIAL, nesta terça-feira (20), o empresário e ex-secretário de Habitação do Estado de São Paulo, Flavio Amary, destacou a importância da continuidade de políticas públicas na área habitacional, independentemente de mudanças no comando do governo. Segundo ele, a alternância de poder muitas vezes compromete programas bem-sucedidos, causando prejuízos à população.

“Essa troca de posições ideológicas prejudica no limite os cidadãos, pois há descontinuidade de programas em várias áreas, inclusive na habitacional”, afirmou Amary. Ele destacou que, no Estado de São Paulo, há uma tradição de manutenção de projetos, o que permite uma maior estabilidade e continuidade nas políticas públicas, mesmo diante de mudanças administrativas.

Programa Viver Melhor e impacto habitacional

Amary citou o Programa Viver Melhor, lançado em sua gestão, como um exemplo de política habitacional bem-sucedida. A iniciativa busca regularizar e reformar unidades habitacionais em comunidades vulneráveis, oferecendo banheiros, melhorias na infraestrutura elétrica e hidráulica, impermeabilização e acessibilidade. O projeto já beneficiou mais de 20 mil unidades e segue sendo replicado em diversas regiões do país.

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“O que identificamos é que muitas pessoas, ao serem transferidas para moradias novas, acabavam vendendo seus imóveis e retornando às comunidades originais, onde tinham vínculos sociais e econômicos. Então, optamos por investir na melhoria das moradias dentro dessas próprias comunidades”, explicou.

Subsídio habitacional e impacto econômico

O ex-secretário ressaltou o papel da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no combate à favelização em municípios pequenos. Segundo ele, a atuação da empresa ao longo de 50 anos tem sido essencial para evitar a expansão de ocupações irregulares no interior de São Paulo.

Além disso, Amary destacou a ampliação do subsídio habitacional para grandes cidades, onde está concentrada a maior parte do déficit de moradias no país. “O subsídio fomenta a indústria da construção civil e gera um ciclo virtuoso na economia. O investimento retorna ao Estado por meio da arrecadação de ICMS e viabiliza a produção de novas unidades habitacionais”, disse.

Impactos da taxa Selic

Ao ser questionado sobre o desempenho do setor imobiliário, Amary afirmou que o mercado segue aquecido, especialmente em São Paulo. “O crescimento imobiliário está visível por toda a cidade, não apenas em áreas nobres como Faria Lima, mas também na periferia”, observou.

Ele também comentou o efeito da taxa Selic, atualmente em 14,75%, sobre o setor. Segundo Amary, os imóveis que estão sendo construídos hoje foram planejados há cerca de quatro ou cinco anos, o que minimiza o impacto imediato da taxa de juros. No entanto, ele alertou que o custo do crédito pode se tornar um entrave para novos lançamentos e investimentos imobiliários.

Amary reforçou que a manutenção de programas habitacionais é essencial para garantir moradia digna à população e fortalecer o setor imobiliário. Segundo ele, a alternância de poder não deve ser um fator que paralise projetos essenciais para a sociedade.

“O desafio é criar estruturas que permitam a perpetuação dos programas habitacionais, independentemente de mudanças na administração pública. Precisamos de continuidade para garantir soluções eficientes para a habitação no Brasil”, concluiu.

Assista a entrevista completa acessando aqui: