“Quando houve esse contato com ele, Daniel Vorcaro era um astro no Brasil. Circulava bem entre autoridades de Brasília, era cortejado por bancos, não tinha problema nenhum. Portanto, foi naquele momento o maior investidor desse filme, com dinheiro privado”, declarou Flávio em entrevista à CNN Brasil.
Na entrevista, Flávio admitiu ter conversado com Vorcaro para pedir “patrocínio” para o filme, e disse que não havia irregularidades nas transações. Ele afirmou ainda que há a possibilidade de vazamento de algum “videozinho” com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas que a relação entre os dois se deu estritamente para tratar do filme.
“Pode vazar um ‘videozinho’ mostrando o estúdio que eu possa ter enviado pra ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha”, diz Flávio.
O senador justificou que pediu dinheiro à Vorcaro para bancar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro, antes de saber sobre as irregularidades no banco. No entanto, segundo as datas das mensagens reveladas nesta quarta-feira pelo site Intercept Brasil, Flávio conversava com o banqueiro quando as investigações da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre as fraudes do Master já eram de conhecimento público.
O Estadão confirmou com fontes que têm acesso à investigação que os diálogos são autênticos. O próprio Flávio admitiu os pedidos e defendeu se tratar de “patrocínio”. Segundo a reportagem, teria havido uma negociação para que Vorcaro ajudasse a produção do filme com uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134,4 milhões na conversão do câmbio da época). Até 2025 Flávio recebeu pagamentos no valor de US$ 10 milhões (R$ 56 milhões).
As conversas registradas entre Flávio e Vorcaro registradas pela reportagem ocorreram em datas entre 8 de dezembro de 2024 e 16 de novembro de 2025. Segundo a reportagem, no dia 16 de novembro de 2025, o senador pediu dinheiro para o banqueiro. Nos áudios, ele chega a comentar que entende que Vorcaro estava passando por um “momento dificílimo”.
Essa conversa aconteceu três meses após as investigações sobre as fraudes do Master virem à tona. Conforme revelou o Estadão, no dia 20 de agosto de 2025, uma investigação da CVM apontou pela primeira vez a suspeita de crimes financeiros na gestão do Master, por meio de investimentos milionários fraudulentos que inflaram o patrimônio da instituição e permitiram o aporte de recursos em empresas vinculadas à família de Vorcaro.
No dia 30 de setembro de 2025, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar suspeitas de crimes envolvendo a gestão do Banco e a tentativa de compra pelo Banco de Brasília (BRB) – que já havia sido rejeitada pelo Banco Central no início do mês. O tema foi noticiado pela mídia nacional.
Cerca de dois meses depois, Flávio contatou Vorcaro para “cobrar” os pagamentos para a produção do filme. No dia seguinte a essa conversa, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado pelo Banco Central no dia 18 de novembro de 2025.

