O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, demonstrou nesta quarta-feira (9), em sessão da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, um “profundo incômodo” com as expectativas inflacionárias que apontam para um possível descumprimento da meta por três anos consecutivos.
A declaração reforça a pressão sobre a autoridade monetária para conter a alta dos preços.
Galípolo destacou a frustração da equipe do Comitê de Política Monetária (Copom) com a Comissão perspectiva de ter que emitir uma segunda carta de descumprimento da meta em um curto espaço de tempo.
“Nós todos, no Copom, estamos bastante incomodados, porque essas expectativas, elas sinalizam que eu, que já tenho esse começo que me incomoda demais na minha gestão, de em seis meses ter que escrever a segunda carta de descumprimento da meta, eu escrevi uma em janeiro e vou ter que escrever agora provavelmente uma no mês que vem por estar descumprindo a meta, nesta lógica que a gente passaria três anos sem conseguir cumprir a meta de três, por isso que é tão importante a reação que o Banco Central fez para que a gente possa produzir essa convergência da inflação para a meta”, afirmou o presidente do BC.
Meta de inflação: não negociável
Em meio às críticas sobre a manutenção da taxa Selic em 15%, Galípolo mencionou que algumas sugestões apontam para uma flexibilização da meta de inflação. No entanto, o presidente do BC foi enfático ao reforçar que a meta não é negociável. Essa postura do Banco Central indica a firmeza em seu compromisso com o controle inflacionário, mesmo diante de pressões externas.
Galípolo também desmistificou a ideia de uma solução fácil para o cenário atual, afirmando que não existe uma “bala de prata” contra a inflação e os juros altos. Para ele, o objetivo primordial não é apenas baixar os juros e, com isso, ter uma inflação elevada, o que evidência a prioridade do Banco Central em estabilizar os preços para garantir a saúde econômica do país a longo prazo.


