O que está sendo considerado o maior golpe da história do sistema bancário brasileiro, com relatos de um ataque ao sistema PIX, deixou rastros que facilitaram a identificação dos criminosos, especialmente devido ao uso de criptomoedas. A afirmação é do advogado Flávio Filizzola D’Urso, presidente do Instituto Nacional de Estudos sobre Criptoativos (INECRIPTO) e especialista em criptoativos e golpes digitais.
Em meio às especulações de que parte dos valores desviados teria sido convertida em criptomoedas, Filizzola D’Urso esclarece um ponto crucial: a crença popular de que criptomoedas como o Bitcoin oferecem anonimato total é um equívoco. Na verdade, a regra para o Bitcoin e outras criptomoedas é a rastreabilidade. “Ao se converter valores em criptomoedas, está-se deixando registros, especialmente na rede blockchain, que é transparente e imutável. Ou seja, deixa-se uma prova eterna do crime”, afirmou o presidente do INECRIPTO.
Essa característica inerente à tecnologia blockchain, que registra todas as transações de forma pública e permanente, contraria a ideia de que o ambiente cripto é um refúgio para atividades ilícitas. Há, inclusive, relatos de que tentativas de conversão de valores em criptomoedas resultaram no bloqueio de parte dos montantes.
A visão de Filizzola D’Urso reforça que o ecossistema cripto está, a cada dia, mais preparado para enfrentar e auxiliar na investigação de crimes. A transparência e a imutabilidade da blockchain, aliadas ao desenvolvimento de ferramentas e expertise na análise de dados on-chain, tornam o rastreamento de fundos criminosos cada vez mais eficaz. Isso representa um avanço significativo na luta contra a criminalidade digital, desmistificando o uso de criptomoedas como um escudo para ações ilegais, concluiu o advogado.


