O delegado Nico, que vai assumir a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. (Foto: Divulgação)


O governo de São Paulo anunciou uma mudança estratégica no comando da Secretaria da Segurança Pública (SSP). O delegado da Polícia Civil Osvaldo Nico Gonçalves, conhecido como “doutor Nico”, assume a pasta no lugar do policial militar Guilherme Derrite. A troca marca a passagem da chefia da secretaria da corporação militar para a polícia judiciária, responsável por investigação.

Derrite deixa o cargo para se dedicar em definitivo ao mandato de deputado federal pelo PL de SP e preparar sua candidatura futura ao Senado na eleição do ano que vem.

Nesse movimento, reforça sua aliança com grupos da direita e da extrema direita na Câmara dos Deputados, com quem articulou para alterar o projeto de lei antifacção apresentado pelo governo contra o crime organizado. O texto alternativo aprovado na Câmara enfrenta questionamentos jurídicos e agora está em debate no Senado.

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Perfil de Nico

Osvaldo Nico Gonçalves, 68, é um dos rostos mais conhecidos da Polícia Civil paulista. Delegado desde 1979, começou a carreira como investigador e passou por diferentes unidades estratégicas, como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), o Grupo Armado de Repressão a Roubos (GARRA) e o Grupo Especial de Resgate (GER). Também ajudou a fundar o Grupo de Operações Especiais (GOE).

Em 2022, foi nomeado delegado-geral da Polícia Civil pelo então governador Rodrigo Garcia (PSDB). No atual governo, atuava como secretário-executivo da SSP e esteve à frente de operações de grande repercussão, como a dispersão da Cracolândia e ações no litoral paulista, criticadas por organizações da sociedade civil pela alta letalidade policial.

Nico ganhou notoriedade nacional e internacional em 2005, quando prendeu em campo o jogador argentino Leandro Desábato, acusado de injúria racial contra o atacante Grafite, durante uma partida da Copa Libertadores no Morumbi. O episódio estampou capas de jornais ao redor do mundo. Antes disso, já havia participado de casos de grande repercussão, como o sequestro da filha do apresentador Silvio Santos (2001) e, mais tarde, da prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor da família Bolsonaro (2020).

Relação com a imprensa e eventos de grande porte

De perfil midiático, Nico sempre manteve diálogo aberto com jornalistas, prática incomum entre delegados. Essa postura ajudou a aproximar a Polícia Civil da cobertura jornalística e consolidou sua imagem pública. Fora das investigações, também foi visto em eventos sociais com artistas e apresentadores.

Além das operações policiais, comandou a segurança de grandes eventos nacionais, como a visita do Papa Bento XVI em 2007 e a Copa do Mundo de 2014.