O BC TV, programa de telejornalismo do portal de notícias BRASIL CONFIDENCIAL, recebeu nesta terça-feira (17) o médico e ambientalista Walter Meyer Feldman. Entrevistado pelos jornalistas Germano Oliveira e Camila Srougi, Feldman trouxe à tona temas cruciais como a COP30, a preservação dos recursos naturais e, com especial dedicação, a saúde e longevidade, área em que atua ativamente desde 2022 como presidente da Longevidade Expo+Fórum.
Durante a entrevista, Feldman detalhou o propósito do evento que preside, afirmando que ele “foca em discutir questões relacionadas à longevidade e ao público sênior, com a participação de diversos especialistas e painéis temáticos”. Ele enfatizou que a iniciativa “visa construir uma sociedade mais inclusiva para os idosos”, um pilar central para o futuro do país.
A Longevidade Expo+Fórum serve como um palco essencial para o debate sobre “o papel do indivíduo longevo na sociedade, buscando criar sistemas que integrem essa população de forma ativa e segura”. Feldman ressaltou a abrangência dos temas abordados no evento, que incluem “a importância da saúde mental, gestão de saúde e transformação digital no setor”, evidenciando uma visão holística sobre o envelhecimento populacional.
Ainda no contexto da saúde e dos recursos naturais, Feldman, em sua entrevista, fez questão de sublinhar a interconexão vital entre esses pilares. Para Feldman, a saúde do planeta é intrínseca à saúde humana.
Walter Meyer Feldman analisou também os desafios ambientais e econômicos para o futuro do Brasil. Em meio a uma semana marcada por conflitos internacionais (a guerra entre Israel e Irã, os combates entre Rússia e Ucrânia e a situação em Gaza), o debate sobre mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável segue como um dos principais desafios da humanidade. Feldman sempre foi um dos mais atuantes ambientalistas na defesa da sustentabilidade. Disse Feldman:
“Os conflitos internacionais dominaram a agenda mundial, mas, ao mesmo tempo, temos a pauta climática batendo na porta de todos os governos”, destacou. Ele ressaltou que, apesar de inúmeras conferências internacionais e esforços diplomáticos, ainda é difícil imaginar um cenário em que os países consigam implementar a transição para uma economia mais sustentável de maneira eficaz. Para Feldman, muitas das discussões globais sobre o tema acabam não se concretizando em medidas práticas, o que reforça a urgência de novas abordagens.
Ao abordar a questão ambiental no Brasil, Feldman enfatizou a necessidade de políticas públicas mais robustas e efetivas. “Sempre nos vendemos como protagonistas ambientais, mas na prática ainda não conseguimos transformar esse discurso em ação”, lamentou. Segundo ele, o poder econômico das grandes petroleiras continua sendo um dos principais entraves para mudanças estruturais. Ele explicou que a pressão do setor de petróleo e gás influencia diretamente nas decisões políticas, dificultando iniciativas que poderiam acelerar a transição para energias renováveis.
A influência do setor petrolífero sobre o desenvolvimento global foi um dos pontos centrais da entrevista. Feldman afirmou que muitos países ainda veem o petróleo como uma fonte de riqueza a ser explorada até seus limites. “Sabemos que há países que querem avançar no sentido de esgotar esse patrimônio financeiro. Isso sustenta estruturas artificiais em algumas nações”, analisou. Ele exemplificou esse cenário ao mencionar a forma como algumas economias dependem excessivamente da exploração de petróleo para manter padrões elevados de desenvolvimento.
Ele também citou sua convivência com Marina Silva e sua participação na campanha presidencial de 2014. “Pude compreender melhor a realidade brasileira e o papel que o Brasil poderia ter no mundo. Há muitos anos, discutimos a necessidade de deslocamento de recursos para políticas ambientais, mas o cenário continua difícil”, refletiu. Segundo Feldman, o país enfrenta desafios profundos ao tentar equilibrar progresso econômico e preservação ambiental, especialmente diante de interesses financeiros que muitas vezes prevalecem sobre a necessidade de sustentabilidade.
Sobre a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP30, que será realizada no Brasil em novembro, Feldman demonstrou ceticismo quanto aos avanços esperados. “Não acredito que a COP possa dar a contribuição que o planeta espera”, afirmou. Ele mencionou a necessidade de alocação de recursos para países pobres, ponderando que as grandes economias ainda mostram resistência a mudanças significativas que poderiam reduzir os impactos ambientais. Para ele, a conferência pode reforçar debates, mas dificilmente resultará em decisões que tragam transformações concretas.
A transição para uma economia mais sustentável no Brasil enfrenta barreiras estruturais e falta de incentivo. Feldman destacou que, se houvesse mecanismos de compensação adequados, o país poderia trabalhar melhor a preservação de seus biomas e explorar alternativas econômicas mais limpas e viáveis. Ele mencionou a importância de investimentos em tecnologias verdes e na criação de sistemas de compensação ambiental que permitam avanços sem comprometer o desenvolvimento nacional.
O impacto ambiental do agronegócio e a ausência de políticas de reversão também foram temas abordados na entrevista. “O Brasil precisa encontrar um equilíbrio entre produção e preservação. O papel do agronegócio e da pecuária precisa ser repensado dentro de uma lógica que realmente leve em consideração os desafios ambientais atuais”, afirmou. Para ele, são necessários mecanismos mais efetivos para garantir que o setor agrícola opere dentro de parâmetros sustentáveis, reduzindo sua pegada de carbono e os danos aos ecossistemas.
Ao concluir sua análise, Feldman revelou sua preocupação com a falta de medidas concretas no curto prazo. “Eu sou muito otimista em tudo que faço, mas não acredito que haja reversão desse processo a curto prazo”, disse. Ele reforçou a urgência de ações efetivas para conter os danos ambientais e garantir um futuro sustentável, destacando que, sem um comprometimento real dos governos e da sociedade, a tendência é que os impactos das mudanças climáticas continuem se agravando.
Assista a entrevista completa no canal do Youtube no link abaixo:



