BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
O presidente Lula já lançou Fernando Haddad para disputar o governo paulista contra o governador Tarcísio várias vezes, mas o ministro também já refugou a missão em inúmeras oportunidades. Sempre que o presidente o lança candidato, Haddad desconversa e diz que a preferência dele é por coordenar o processo da reeleição do petista. Mas, afinal, o que está levando o chefe da Fazenda a refugar a indicação? Ele não confia no taco?
Talvez essa seja a explicação mais plausível. Haddad teme perder mais uma eleição para Tarcísio. Em 2022, o petista foi derrotado pelo bolsonarista ao governo de São Paulo no segundo turno, perdendo para um político pouco conhecido e que nem morava em São Paulo. Foi uma bordoada.

O ministro da Fazenda já havia perdido a eleição em 2018, quando disputou a presidência da República contra Jair Bolsonaro, representando Lula, que estava preso na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Haddad não tem se sentido emocionalmente bem, ao perder uma atrás da outra.
Derrota dolorida

Afinal, a eleição perdida mais dolorida foi a de 2016, quando Haddad, ainda prefeito, foi derrotado na reeleição para a Prefeitura de São Paulo pelo empresário João Doria, que era totalmente inexperiente, nunca tinha disputado uma eleição e o venceu ainda no primeiro turno. Foi uma derrota vexaminosa para o PT. Haddad perdeu o rumo. Até porque, ele ainda tinha a máquina na mão e não teve capacidade de articular uma campanha apropriada para enfrentar um neófito na política.
Ressabiado com tantas derrotas, Haddad tem pulado fora da canoa dos que desejam que ele se lance ao mar revolto de mais uma disputa eleitoral em que pode morrer na praia. E não foi só Lula que o lançou candidato ao governo sem receber qualquer gesto de empolgação por parte do ministro.
A ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também já lançou Haddad, mas ele fez ouvidos moucos. Haddad sempre diz que os partidos da base aliada têm outros candidatos em melhores condições do que ele. Cita que o PT tem o ex-governador Geraldo Alckmin e até a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
O pior é que as pesquisas não o animam. Por ora, Tarcísio de Freitas lidera as pesquisas para o governo, com grande margem à frente dos demais oponentes. E se o jogo não mudar nos próximos meses, o PT pode, mais uma vez, amargar nova derrota em São Paulo.
*Germano Oliveira é diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.




