Mohamed Nazzal, membro do bureau político do grupo, em comunicado à imprensa sobre o acordo. (Reprodução: TV)


O grupo palestino Hamas anunciou nesta sexta-feira (3) sua aceitação formal da proposta de paz apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando uma possível virada no conflito que assola a Faixa de Gaza desde o início de 2025.

Em carta oficial divulgada por seus líderes, o Hamas declarou estar disposto a libertar todos os reféns israelenses, vivos e mortos, como parte de um acordo que inclui troca de prisioneiros, cessar-fogo imediato e a entrega da administração de Gaza a um corpo palestino de tecnocratas independentes. A organização afirmou que está pronta para iniciar negociações imediatas com os mediadores internacionais designados.

“O Hamas está comprometido com uma solução que respeite os direitos do povo palestino e rejeita qualquer imposição ou ameaça externa”, disse Mohamed Nazzal, membro do bureau político do grupo, em comunicado à imprensa.

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A proposta de Trump, que já recebeu apoio público do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e de líderes regionais como o emir do Qatar e o rei da Arábia Saudita, prevê ainda o desarmamento gradual do Hamas, a criação de uma administração internacional temporária em Gaza e a retirada progressiva das forças israelenses da região.

Fontes diplomáticas em Washington e Doha confirmaram que os Estados Unidos estão em contato com representantes do Hamas e de Israel para definir os termos logísticos da implementação do plano. A comunidade internacional acompanha com cautela, mas otimismo, o desenrolar das negociações, que podem representar o primeiro avanço concreto rumo à paz desde o colapso das conversações em 2021.

A aceitação do plano por parte do Hamas marca uma mudança significativa na postura do grupo, que historicamente rejeitou propostas mediadas por Washington. Analistas apontam que o agravamento da crise humanitária em Gaza e a pressão de aliados regionais podem ter influenciado a decisão.

Ainda não há previsão oficial para o início das negociações, mas fontes próximas ao processo indicam que uma reunião preliminar poderá ocorrer nos próximos dias em Genebra, sob supervisão da ONU.