Luiz Flávio D’Urso, advogado criminalista e ex-presidente da OAB/SP, participou da entrevista no BC TV nesta quarta-feira (21), conduzida por Germano Oliveira e Camila Srougi.
Durante a conversa, D’Urso abordou um dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil atualmente: a redução da taxa de homicídios em 2024, a menor dos últimos dez anos, contrastando com o avanço do crime organizado, especialmente facções como o PCC e o Comando Vermelho.
Ao analisar esse cenário, D’Urso afirmou: “Esse é um dos maiores desafios que o Brasil enfrenta hoje. Não parece sê-lo na medida em que as notícias que estão permanentemente nas manchetes tratam da área econômica e política. Mas eu, como operador do direito que trabalha nisso diariamente, vejo como um desafio intransponível a curto e médio prazo.”
Sobre a aparente redução da violência letal, ele explicou: “A letalidade está diminuindo, os homicídios estão diminuindo, mas isso ocorre em alguns pontos isolados, em ilhas onde há uma condição melhor de segurança. Por outro lado, temos uma situação de déficit de registro de crimes, inclusive de homicídios, e uma incompetência absoluta do Estado em solucioná-los. Em São Paulo, por exemplo, a taxa de resolução dos homicídios não chega a 10%. Ou seja, 90% dos homicídios no estado ficam sem solução.”
D’Urso ressaltou que São Paulo, como principal estado do país, deveria liderar a reação contra o avanço da criminalidade, mas enfrenta dificuldades estruturais. Ele relembrou uma experiência marcante: “O governador Fleury, que foi meu professor, montou a primeira Secretaria de Administração Penitenciária. No início, nomeou um desembargador muito competente, mas logo em seguida, quem assumiu foi João Benedito, um homem extraordinário, humanista, um camarada muito preparado oriundo do Ministério Público. Eu tive a oportunidade de assessorá-lo por um período, e foi um momento fundamental para compreender os desafios do sistema penitenciário e do combate ao crime organizado.”
Para ele, o enfrentamento dessa ameaça passa por uma reestruturação profunda do sistema de segurança pública, com investimentos em inteligência, tecnologia e fortalecimento das instituições responsáveis pela investigação e combate ao crime. Sem essas medidas, D’Urso alerta: “O Brasil continuará enfrentando o paradoxo de uma redução na violência letal, enquanto o poder das facções criminosas se expande.”
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