Sede da Nvidia, em Santa Clara, na Califórnia. (Foto: Divulgação)


Líder mundial na revolução da Inteligência Artificial (IA), a empresa de tecnologia norte-americana Nvidia (NVDA), que tem uma filial na capital paulista, atingiu um marco histórico nesta última semana, ao se tornar a primeira empresa do mundo a alcançar o valor de mercado de US$ 5 trilhões (cerca de R$ 26,85 trilhões).

O feito não apenas solidifica sua posição no epicentro do boom tecnológico, mas também a coloca em uma dimensão econômica comparável às maiores potências globais, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de nações como a Alemanha e Brasil – neste caso sendo mais que o dobro da economia brasileira.

O recorde da Nvidia, que chega apenas quatro meses após a companhia ultrapassar o patamar de US$ 4 trilhões (R$ 21,48 trilhões), é reflexo da demanda exponencial por seus processadores. A empresa, que outrora focava em chips para games, hoje fornece as Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) essenciais para o treinamento de grandes modelos de linguagem, como os que alimentam o ChatGPT.

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A escala incomparável da riqueza da IA

A dimensão do valor de mercado da Nvidia ganha contornos didáticos ao ser comparada com as principais métricas econômicas.

  • Superando a Alemanha: Com US$ 5 trilhões (R$ 26,85 trilhões) em valor de mercado, a Nvidia ultrapassa o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, a maior economia da Europa, estimado em cerca de US$ 4,6 trilhões (R$ 24,69 trilhões) em 2024.
  • Mais que o Dobro do Brasil: O valor da gigante tecnológica também se coloca em contraste brutal com o PIB do Brasil. Tendo o PIB nacional sido de R$ 11,7 trilhões em 2024, o valor da empresa americana é mais que o dobro (cerca de 2,3 vezes) do valor de toda a produção de bens e serviços do Brasil, que corresponde a aproximadamente US$ 2,18 trilhões na mesma cotação do período (R$ 11,7 trilhões).

Em declarações a analistas de mercado, o novo marco da Nvidia demonstra “o poder de capitalização do setor de IA”, uma tecnologia que tem o potencial de redefinir a produtividade global. O valor de US$ 5 trilhões (R$ 26,85 trilhões) da empresa americana, cotada na Nasdaq, a eleva ao patamar de terceira maior “economia do mundo”, atrás apenas dos PIBs dos Estados Unidos e da China.

Explosão de ganhos

A valorização estrondosa da Nvidia impulsionou a riqueza de seus principais acionistas e executivos.

O CEO e co-fundador da companhia, Jensen Huang, de 62 anos, concluiu uma venda de ações pré-planejada (um acordo conhecido como 10b5-1) no valor de mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). Segundo o plano adotado em março, Huang tinha autorização para vender até 6 milhões de ações até o final do ano.

As ações envolvidas no acordo estavam avaliadas em aproximadamente US$ 865 milhões (R$ 4,64 bilhões) quando a venda começou no final de junho, mas subiram mais de 40% desde então em meio à demanda crescente por processadores de IA. Com a valorização da empresa, Huang viu sua fortuna pessoal saltar para US$ 175,7 bilhões (R$ 943,07 bilhões), um aumento de US$ 61,3 bilhões (R$ 329,12 bilhões) somente neste ano, mantendo ainda uma participação de 3,5% na companhia. O CEO ocupa agora a nona posição no Bloomberg Billionaires Index.

O movimento de venda não foi isolado. Executivos internos da Nvidia venderam um total de quase US$ 1,5 bilhão (R$ 8,05 bilhões) em ações durante o terceiro trimestre. A projeção é que o total de vendas internas supere a marca de US$ 2 bilhões (R$ 10,74 bilhões), um salto significativo em comparação com os US$ 462 milhões (R$ 2,48 bilhões) vendidos em 2023, refletindo a oportunidade de lucro gerada pela alta histórica da cotação.

O marco da Nvidia de US$ 5 trilhões (R$ 26,85 trilhões) não é apenas um número no mercado financeiro; é uma poderosa demonstração da capitalização e da centralidade da tecnologia de Inteligência Artificial no novo panorama econômico global.