A produção da indústria no Brasil está patinando neste 2025. Segundo os dados divulgados nesta terça-feira (11), o ano começou com estagnação do setor industrial, em janeiro, indicando que o país caminha para uma desaceleração da economia.
Segundo o IBGE, a variação nula de janeiro na comparação com dezembro interrompeu três meses de taxas negativas, mas ficou bem aquém da expectativa em pesquisa do mercado, que esperava um crescimento anêmico, mas que indicasse algo positivo.
Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram ainda que, em relação ao mesmo período do ano anterior, houve alta de 1,4% na produção, contra expectativa de 2,3%.
Em 2024, a indústria apresentou crescimento de 3,3%, de acordo com os números do Produto Interno Bruto divulgados neste mês pelo IBGE. Segundo analistas, a perspectiva agora é de que o setor sofra uma desaceleração gradual ao longo deste ano.
Os juros elevados por período prolongado impactam a atividade produtiva do setor industrial, fator determinando na restrição de investimentos novos, além disso tem o efeito de dois outros agentes: a inflação, que insiste em se manter em alta e a taxa de câmbio frente ao dólar desfavorável.
O Banco Central já elevou a taxa básica de juros Selic a 13,25% ao ano, com efeitos que devem ser sentidos ao longo de 2025. A autoridade monetária volta a se reunir em 18 e 19 de março, e já indicou novo aumento de 1 ponto percentual.
Em entrevista ao portal Investing.com, o economista André Macedo, gerente de pesquisa do IBGE, disse: “A gente entende que a indústria vive uma processo de desaceleração por conta da política monetária, que afeta o crédito às famílias”.
“O consumo das famílias está claramente afetado por conta da Selic, inflação mais alta, especialmente de alimentos, e ainda o crédito menos farto”.
Os dados da pesquisa sobre a indústria mostraram que em janeiro 18 dos 25 ramos pesquisados mostraram avanço na produção, com destaque para máquinas e equipamentos (6,9%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (3,0%).
Macedo ressalta que essas atividades tiveram comportamento negativo no final de 2024 em meio a férias coletivas no período.
“Há um movimento de maior dinamismo para a produção de janeiro de 2025 por conta dessa volta à produção e que elimina a perda registrada em dezembro de 2024”, explicou.
Na outra ponta, a queda de 2,4% na produção das indústrias extrativas exerceu o maior impacto negativo em janeiro, interrompendo dois meses consecutivos de crescimento, influenciada segunda o IBGE pelos seus dois principais itens: petróleo e minérios de ferro.
Também pesaram os desempenhos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,1%); de celulose, papel e produtos de papel (-3,2%); e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-4,7%).
Entre as grandes categorias econômicas, a fabricação de Bens Intermediários teve queda de 1,4%, enquanto a de Bens de Capital aumentou 4,5% e a de Bens de Consumo subiu 3,6% em janeiro sobre o mês anterior.
“Apesar dos desafios impostos pela desaceleração da economia global e pelo prolongado período de juros elevados, acreditamos que a retração (da indústria) será moderada. Fatores como uma balança comercial sólida e políticas governamentais de estímulo à atividade econômica devem ajudar a mitigar os impactos negativos”, disse ao portal Investing Igor Cadilhac, economista do PicPay, calculando em 2025 crescimento de 2% na produção industrial brasileira.





