O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,67% em abril, após avanço de 0,88% em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da desaceleração na margem, a inflação acumulada em 12 meses acelerou para 4,39%, frente aos 4,14% observados até março. No acumulado de 2024, o índice já soma 2,60%.
Principais pressões
O grupo Alimentação e bebidas voltou a liderar as pressões inflacionárias, com alta de 1,34% e impacto de 0,29 ponto percentual no índice do mês. Produtos in natura e derivados, como arroz, feijão e carnes, tiveram reajustes relevantes, refletindo tanto fatores sazonais quanto custos de produção.
Na sequência, Saúde e cuidados pessoais avançou 1,16%, contribuindo com 0,16 ponto percentual. Medicamentos e itens de higiene foram os principais responsáveis pela alta. Juntos, os dois grupos responderam por cerca de dois terços da inflação de abril.
Expectativas e meta
O resultado veio em linha com as projeções do mercado. A mediana das estimativas coletadas pelo Broadcast apontava exatamente para alta de 0,67% no mês e inflação acumulada de 4,39% em 12 meses.
Apesar da aceleração no acumulado anual, o índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Análise
A leitura de abril reforça o diagnóstico de que a inflação segue concentrada em itens de consumo essencial, como alimentos e medicamentos, o que tende a afetar de forma mais intensa as famílias de menor renda.
Por outro lado, a desaceleração em relação a março indica algum alívio no curto prazo, especialmente em segmentos como transportes, que registraram variação mais moderada.
Para os próximos meses, analistas avaliam que a trajetória da inflação dependerá do comportamento dos preços de alimentos, ainda sujeitos a choques climáticos, e da dinâmica dos serviços, que têm mostrado resistência à queda.


