O deputado Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro, agradeceu em áudio o banqueiro Daniel Vorcaro pelo apoio à produção da cinebiografia Dark Horse, sobre o ex-presidente. A gravação, revelada pelo site Intercept foi enviada por WhatsApp em 11 de dezembro de 2024, às 18h24.
“Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”, disse Frias. Vorcaro respondeu: “Eu tô numa ligação, te chamo em seguida”. Às 19h06, os dois conversaram por ligação de voz durante cerca de dois minutos.
Quatro dias depois, em 14 de dezembro, Frias divulgou nota afirmando que o filme não havia recebido “um único centavo” de Vorcaro, dono do Banco Master.
Relação com Vorcaro
Em entrevista concedida em 18 de dezembro de 2024 ao jornalista Paulo Figueiredo, Frias reconheceu agradecimentos ao banqueiro, mas sustentou que Vorcaro não seria investidor direto, e sim responsável por trazer outros financiadores. “A única coisa que eu tratei com o Daniel Vorcaro foi sobre o filme. Se eu falei com o Daniel Vorcaro no telefone três vezes foi muito. Sempre nesse sentido: ‘olha, as coisas estão indo bem, o projeto tá bem, obrigado, vai ser um sucesso’”, declarou.
Segundo o Intercept, o áudio foi enviado pouco menos de uma hora após o horário previsto para um encontro entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência.
Conversas posteriores
No dia 22 de dezembro de 2024, Frias e Vorcaro trocaram mensagens de texto. O deputado afirmou que o filme seria “o grande milagre”, capaz de tocar “milhões de pessoas em todo mundo” e teria “papel histórico imprescindível para futuras gerações”. Vorcaro respondeu: “Tenho certeza disso”. Frias acrescentou: “JB precisa ter sua verdadeira história revelada”, e concluiu: “2026 é do Brasil. Deus te abençoe, meu Brother”.
Em 15 de dezembro, Frias enviou ao banqueiro uma captura de tela de conversa com o diretor Cyrus Nowrasteh, que mencionava negociações preliminares e a possibilidade de convencer o ator Jim Caviezel a interpretar Bolsonaro. O cineasta alertava que o ator faria duas perguntas antes de aceitar: se poderia ler o roteiro e se seria bem remunerado.
Financiamento e produção
O Intercept revelou em 13 de maio que Vorcaro ajudou a financiar Dark Horse, com negociações envolvendo contatos diretos com Flávio Bolsonaro. Segundo a reportagem, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões.
Outra publicação do Intercept, também confirmada pela emissora, mostrou que o contrato de produção do filme listava Eduardo Bolsonaro e Mário Frias como produtores executivos. A produtora GoUp e os executivos tinham como atribuição captar recursos, preparar documentação para investidores e buscar incentivos fiscais, patrocínios e colocação de produtos.
Notas de Frias
Em 13 de dezembro, Frias divulgou nota negando aportes de Vorcaro e afirmando que o projeto vinha sofrendo “ataques direcionados” por motivações políticas e ideológicas. Posteriormente, recuou: disse que Banco Master e Vorcaro não figuravam formalmente como investidores diretos, mas que o relacionamento jurídico do projeto ocorria com a empresa Entre Investimentos.





