A residência foi utilizada por uma quadrilha do PCC suspeita de executar Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil e então secretário de Administração da cidade.
Marques está foragido após se recusar a informar quem alugou o imóvel e não se apresentar à Polícia Civil como havia prometido, segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A perícia identificou 41 amostras de material genético na casa, incluindo impressões digitais de Marques e de seu irmão, um policial militar. A participação do PM no crime foi descartada após depoimento à Corregedoria.
A investigação já identificou sete suspeitos diretamente ligados ao assassinato. Três estão presos: Dahesly Oliveira Pires, 25, que confessou ter transportado um fuzil; Luiz Henrique Batista, 43, conhecido como “Fofão”, preso por dar fuga a outro suspeito; e Rafael Marcel Dias Simões, 42, o “Jaguar”, que se entregou à polícia na madrugada de sábado. Tanto “Fofão” quanto “Jaguar” são apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Outros quatro suspeitos permanecem foragidos. Felipe Avelino da Silva, o “Masquerano”, e Flávio Henrique Ferreira de Souza deixaram impressões digitais em um Jeep Renegade furtado, utilizado na fuga. Luiz Antonio Rodrigues de Miranda é acusado de pagar a Dahesly Pires para buscar o fuzil. Um Toyota Hilux escuro, semelhante ao usado pelos executores, foi visto por dias em frente à casa de Miranda.
Motivação e contexto do crime
Fontes foi executado com tiros de fuzil em Praia Grande. A polícia trabalha com duas linhas de investigação: vingança do PCC, que o considerava um obstáculo, ou represália à sua atuação como secretário municipal. O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou que não há mais dúvidas sobre o envolvimento do crime organizado.
Cartas interceptadas pela Polícia Civil revelam que Fontes era alvo da facção desde 2019. Em uma reunião da célula “Bonde dos 14”, liderada por Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, e operacionalizada por Décio Gouveia Luiz, o “Decinho”, foi decidido que o delegado deveria ser morto. A ordem foi registrada em uma carta manuscrita apreendida com Sandro de Cássio Souza, o “Gardenal”, que também mantinha registros financeiros da facção.
A repressão policial liderada por Fontes teria causado prejuízos mensais de até R$ 3 milhões à facção, especialmente na Cidade Tiradentes e no ABC paulista.
O plano de execução foi concebido como retaliação e um alerta a outros agentes da lei. A estrutura criminosa envolvia tráfico, lavagem de dinheiro, empréstimo de armas e ocultação de bens.
Exame
“Jaguar”, que se entregou, deve passar por exame de corpo de delito e audiência de custódia. A polícia ainda busca os demais foragidos e investiga possíveis conexões com outros membros do PCC. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso, devido à suspeita de envolvimento de agentes da corporação.
A execução de Ruy Ferraz Fontes expõe não apenas a ousadia da facção criminosa, mas também os desafios enfrentados pelas autoridades na contenção de redes que operam dentro e fora dos presídios. A investigação continua, com foco na identificação dos atiradores e na responsabilização de todos os envolvidos na logística do crime.


