Cena de latrocínio: carro alvejado por vários tiros em meio a trânsito intenso nas grandes cidades. (Foto: Reprodução)


A sete meses da eleição presidencial mais importante de todos os tempos — marcada pelo risco de a extrema direita voltar ao poder — os brasileiros podem decidir em quem votar influenciados por dois problemas que afetam diretamente o cotidiano da população: crime/violência e corrupção.

A edição de março do What Worries the World (O que preocupa o mundo), divulgada nesta terça-feira (24) pela Ipsos, mostra que crime e violência concentram 48% das menções dos brasileiros e corrupção 42%, consolidando-se como os dois principais temores da população.

O levantamento indica que a insegurança permanece como tema central, enquanto a percepção sobre corrupção cresce de forma expressiva, impulsionada pelo noticiário recente e pelo ambiente político em ano eleitoral — casos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, o Banco Master, o golpe do INSS e o escândalo das emendas parlamentares.

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Segundo Diego Pagura, CEO da Ipsos Brasil, “mais do que oscilações mensais, há uma consolidação desses temas no centro das preocupações da população”.

Brasil: estabilidade com pressões estruturais

Crime e violência: 48% (-1 p.p. no mês, +5 p.p. em um ano). Apesar da leve queda mensal, o tema se mantém como eixo central, sustentado por fatores estruturais e pela recorrência de episódios de violência.

Corrupção: 42% (+2 p.p. no mês, +14 p.p. em um ano). O crescimento reflete maior presença do tema no noticiário, como o caso envolvendo o Banco Master, além de debates sobre integridade e responsabilidade fiscal.
Pobreza e desigualdade social: 36% (+2 p.p. no mês e no ano). Pressões persistentes ligadas à renda e ao custo de vida.

Saúde: 35% (-3 p.p. no mês, +3 p.p. em um ano). Apesar da queda mensal, segue relevante, mas com menor centralidade.

A percepção sobre o rumo do país apresentou leve melhora, com avanço de 1 ponto percentual entre os que acreditam que o Brasil está na direção certa. O movimento indica pequena inflexão no humor após meses de maior pressão.

Cenário internacional

Estados Unidos: percepção de rumo certo recuou 4 pontos, refletindo incertezas econômicas e polarização política. A inflação é a principal preocupação (38%).

Argentina: percepção de rumo certo caiu 6 pontos. O desemprego disparou para 60%, com alta de 13 pontos no mês e 17 na comparação anual.

França: última posição do ranking, com apenas 9% acreditando que o país está no caminho certo, em meio a insatisfação prolongada.
Panorama global

Globalmente, crime e violência (33%) lideram as preocupações, seguidos por desemprego, inflação e pobreza/desigualdade. A fotografia internacional indica persistência de pressões contínuas, mais do que rupturas, em um ambiente em que questões econômicas e sociais moldam o humor das populações.

Conclusão

Os resultados de março reforçam que, no Brasil, segurança, corrupção e desigualdade permanecem como eixos centrais do debate público.

“Os dados mostram que fatores estruturais e o noticiário recente continuam atuando de forma combinada na formação da percepção da população”, concluiu Pagura.