O ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi diz que o encontro com americanos está confirmado. (Foto: IRAN TV)


O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste sábado (7) que Teerã e Estados Unidos concordaram em realizar “em breve” uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear. Segundo ele, o Irã está disposto a avançar rumo a um acordo “tranquilizador” para ambas as partes. No entanto, o chefe da diplomacia iraniana descartou a negociação do programa balístico de seu país.

Araghchi explicou, em entrevista à emissora Al Jazeera, que ainda não há uma data definida para o próximo encontro, mas que Teerã e Washington consideram importante retomá-lo o quanto antes. Ele reiterou que o enriquecimento de urânio é um “direito inalienável” do Irã e que deve continuar, embora o país esteja aberto a um entendimento que ofereça garantias sobre esse processo. O chanceler acrescentou que, embora as conversas de sexta-feira (6) em Omã tenham sido “indiretas”, “surgiu a oportunidade de apertar a mão da delegação americana”.

O presidente americano Donald Trump saudou na sexta-feira as “excelentes” discussões em andamento com o Irã, após uma sessão de negociações em Omã, afirmando que as conversas deverão continuar “no início da próxima semana”.

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As conversas entre Estados Unidos e Irã estavam congeladas desde os bombardeios sem precedentes realizados por Israel contra o Irã no ano passado, que desencadearam uma guerra de 12 dias em junho. O Catar, aliado dos Estados Unidos, manifestou esperança de que as discussões “resultem em um acordo abrangente que atenda aos interesses de ambas as partes e fortaleça a segurança e a estabilidade na região”.

Apesar do avanço, autoridades iranianas não esperam um acordo rápido que resulte na suspensão das sanções ou na melhora imediata da situação econômica.

Programa balístico fora de debate

Neste sábado, o ministro iraniano denunciou uma “doutrina de dominação” que, segundo ele, permite que Israel amplie seu arsenal militar enquanto limita as capacidades de outros países do Oriente Médio.

Araghchi reforçou que o programa balístico iraniano “jamais poderá ser negociado”, por se tratar, segundo ele, de um tema estritamente ligado à defesa nacional. Os Estados Unidos pressionam para incluir essa questão e o apoio de Teerã a grupos armados hostis a Israel na pauta das negociações, porém, Teerã insiste que só discutirá o dossiê nuclear, buscando o levantamento das sanções internacionais que sufocam sua economia.

O chanceler advertiu ainda que Teerã retaliaria mirando bases dos Estados Unidos instaladas no Oriente Médio caso Washington ataque o país. “Não é possível atingir o território americano se Washington nos atacar, mas miraremos suas bases na região”, afirmou Araghchi.

Poucas horas após a primeira sessão de negociações em Omã, os Estados Unidos anunciaram novas sanções petrolíferas contra o Irã. As medidas atingem 15 entidades, duas pessoas e 14 navios da chamada “frota fantasma”, acusados de participar do comércio ilícito de petróleo, derivados e produtos petroquímicos iranianos, segundo o Departamento de Estado.

O ministro das Relações Exteriores da França afirmou nesta sexta-feira que o Irã deve renunciar a ser “uma potência desestabilizadora”, citando o programa nuclear e o apoio a grupos “terroristas” que representam, segundo ele, uma ameaça para países do Oriente Médio e da Europa.

Jean‑Noël Barrot, em visita à região, também pediu que “os grupos apoiados pelo Irã”, entre eles o Hezbollah, exerçam “a máxima contenção” diante do risco de uma escalada militar entre Teerã e os Estados Unidos.