Israel confirmou nesta sexta-feira (3) ter sido alvo de uma nova salva de mísseis disparada pelo Irã, o que levou à ativação imediata das defesas aéreas. Até o momento, não há relatos de vítimas, mas autoridades israelenses reconheceram que estavam sob ataque de uma nova barragem de projéteis. O episódio ocorreu em meio a declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos “ainda nem começaram a destruir o que resta” da infraestrutura iraniana, intensificando o clima de confronto.
Os serviços de emergência israelenses informaram que casas e veículos foram atingidos por um míssil de fragmentação que não pôde ser interceptado. A rádio militar reportou ainda que estilhaços danificaram uma estação de trem em Tel Aviv. Horas antes, Trump havia publicado em sua plataforma Truth Social que pontes e centrais elétricas seriam os próximos alvos, após anunciar a destruição da ponte mais alta do país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu que atacar estruturas civis não obrigaria os iranianos a se renderem.
O conflito tem se expandido para além dos ataques militares diretos, atingindo setores estratégicos da economia. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial, foi efetivamente fechado pelo Irã, aumentando os temores de uma crise energética global. Países do Golfo pressionam pela criação de uma força internacional para proteger a navegação, mas a votação na ONU sobre o tema foi adiada. O embate, iniciado há mais de um mês com ataques israelenses e americanos contra o Irã, já se espalha por todo o Oriente Médio.
As ameaças de retaliação se multiplicam. Trump declarou que bombardearia o Irã até levá-lo “de volta à Idade da Pedra” caso Teerã não aceitasse uma solução negociada. Em resposta, o Irã prometeu ataques “esmagadores” contra os Estados Unidos e Israel. Estados do Golfo, antes considerados refúgios seguros, tornaram-se alvos diretos. Um drone atingiu uma refinaria da companhia petrolífera nacional do Kuwait, provocando incêndios, e o Irã afirmou ter atacado indústrias siderúrgicas e de alumínio americanas em Abu Dhabi e Bahrein, além de fábricas de armas Rafael.
Apesar da escalada, o cotidiano persiste sob tensão. Em Teerã, famílias se reuniram no Parque Melat para celebrar o 13º dia após o Nowruz, o Ano Novo persa, enquanto postos de controle da Guarda Revolucionária se multiplicavam pelas ruas. Em Israel, as celebrações da Páscoa judaica ocorreram em abrigos, com moradores relatando que passaram o feriado em bunkers. “Esta não é a minha primeira escolha”, disse Jeffrey, escritor que jantava em um abrigo subterrâneo em Tel Aviv.
O impacto econômico da guerra já reverbera globalmente. O preço do petróleo subiu para cerca de R$ 550,00 (US$ 110) por barril, impulsionado pelas declarações de Trump. Analistas do Deutsche Bank observaram que o discurso do presidente americano não trouxe clareza sobre uma estratégia de saída, sugerindo que os Estados Unidos não buscam um fim iminente para o conflito. O Banco Mundial alertou para riscos crescentes de inflação, desemprego e insegurança alimentar em diversas regiões. Enquanto Trump sugere que uma nova liderança em Teerã poderia ser “mais razoável” em negociações de paz, o Irã rejeita as propostas americanas, classificando-as como “irracionais”.



