Aeronaves israelenses atingiram um quarteirão residencial no norte de Gaza, devastado pela guerra, nesta quarta-feira (9), matando ao menos 23 pessoas, disseram autoridades de saúde, enquanto os novos combates no território palestino devastado não davam sinais de arrefecimento.
O hospital Al-Ahli informou que ao menos 23 pessoas morreram no ataque, incluindo oito mulheres e oito crianças, números confirmados pelo Ministério da Saúde do território.
O ataque atingiu um prédio de quatro andares no bairro de Shijaiyah, na Cidade de Gaza, e equipes de resgate procuravam vítimas sob os escombros, de acordo com o serviço de emergência do Ministério da Saúde. A defesa civil, um grupo de resgate que opera sob o governo do Hamas, informou que outros prédios vizinhos foram danificados no ataque.
O exército israelense afirmou ter atingido um militante sênior do Hamas, que, segundo ele, estaria por trás dos ataques vindos de Shijaiyah. Não o nomeou nem forneceu mais detalhes. Israel atribui as mortes de civis ao grupo militante, pois ele está inserido em densas áreas urbanas.
À medida que aumenta a pressão sobre o Hamas para que concorde em libertar os reféns, Israel emitiu ordens abrangentes de evacuação em partes de Gaza, incluindo Shijaiyah. Impôs um bloqueio de alimentos, combustível e ajuda humanitária, o que deixou os civis enfrentando uma grave escassez devido à escassez de suprimentos. Prometeu tomar grandes partes do território palestino e estabelecer um novo corredor de segurança através dele.
No início desta semana, o Hamas disparou sua mais forte saraivada de foguetes desde o fim do cessar-fogo, mirando 10 projéteis em direção ao sul de Israel.
Israel retomou sua guerra contra o Hamas em Gaza no mês passado, após o fim de um cessar-fogo de oito semanas. O cessar-fogo trouxe um alívio muito necessário dos combates aos palestinos exaustos pela guerra em Gaza e enviou uma infusão de ajuda humanitária ao território. Também levou à libertação de 25 reféns israelenses vivos mantidos em Gaza e à devolução dos restos mortais de outros oito, em troca de centenas de prisioneiros palestinos.
Desde então, mediadores têm tentado levar as partes a um acordo provisório que interromperia novamente a guerra, libertaria os reféns e abriria caminho para negociações sobre o fim da guerra, algo com que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirma não concordar até que o Hamas seja derrotado. O Hamas quer que a guerra termine antes de libertar os 59 reféns restantes, dos quais acredita-se que 24 estejam vivos.
A guerra, que foi desencadeada pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 ao sul de Israel, provocou os combates mais mortais entre israelenses e palestinos de sua história. A guerra desencadeou uma crise humanitária na já empobrecida Gaza e provocou ondas de choque por toda a região e além.
Netanyahu viajou a Washington esta semana para se encontrar com o presidente Donald Trump, e as declarações públicas dos líderes demonstraram solidariedade à situação dos reféns, mas pouco esclareceram sobre qualquer acordo emergente para suspender os combates.
Trump disse que quer o fim da guerra. Mas sua visão pós-guerra para Gaza – tomar o poder e realocar sua população – surpreendeu os aliados do Oriente Médio, que afirmam que qualquer conversa sobre a transferência da população palestina, à força ou voluntariamente, é inviável. Israel abraçou a ideia.
Netanyahu, por sua vez, está sob pressão de seus aliados políticos de extrema direita para continuar a guerra até que o Hamas seja esmagado, um objetivo que Israel ainda não alcançou 18 meses após o início do conflito.
A guerra matou mais de 50.000 palestinos em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde, que não diferencia combatentes de civis em sua contagem, mas afirma que mais da metade dos mortos são mulheres e crianças.
O Hamas matou 1.200 pessoas durante o ataque de 7 de outubro, a maioria civis, e fez 250 reféns, muitos dos quais foram libertados em acordos de cessar-fogo.
O conflito no Oriente Médio destruiu inúmeras vidas e as cenas horríveis desde 7 de outubro de 2023, em Gaza e Israel, assombram milhões de pessoas em todo o mundo.





