A Marinha israelense interceptou nesta sexta-feira (03/10) o último barco da flotilha internacional que transportava ativistas de vários países rumo à Faixa de Gaza, na tentativa de entregar ajuda humanitária à população do território palestino.
Em comunicado, a Flotilha Global Sumud afirmou que os militares israelenses haviam “interceptado ilegalmente todos as nossas 42 embarcações – cada uma carregando ajuda humanitária, voluntários e a determinação de furar o cerco ilegal de Israel sobre Gaza”.
As autoridades israelenses afirmam ter detido mais de 400 ativistas, políticos, personalidades e jornalistas que estavam a bordo da flotilha, incluindo a ativista climática sueca Greta Thunberg. O grupo havia partido da Espanha no mês passado.
Após uma parada de 10 dias na Tunísia, onde os organizadores relataram dois ataques de drones a embarcações da flotilha, o grupo retomou sua jornada em 15 de setembro. Um de seus principais navios, o Alma, foi “agressivamente cercado por um navio de guerra israelense”, informou o grupo, antes que outra embarcação, o Sirius, fosse submetida a “manobras de assédio semelhantes”.
As embarcações começaram a ser interceptadas na quarta-feira a cerca de 70 milhas náuticas (129 quilômetros) da costa de Gaza, segundo os organizadores, que compartilharam o posicionamento geográfico da flotilha em tempo real.
“Por volta das 20h30, horário de Gaza [14h30 no horário de Brasília], várias embarcações da Flotilha Global Sumud, incluindo a Alma, a Sirius e a Adara, foram interceptadas ilegalmente e abordadas pelas forças de ocupação israelense.
“O que Israel é percebido como fazendo não é simplesmente guerrear em Gaza, mas, na verdade, induzir deliberadamente a fome, o que seria um claro crime de guerra”, disse Brown à DW. “O abismo cada vez maior entre apoiadores e críticos [de Israel] é algo para o qual a flotilha atual busca chamar mais atenção”, concluiu.
Israel, porém, rejeita as críticas. “O governo israelense diz que está permitindo a entrada de comida suficiente, que o que é transportado estaria sendo roubado pelo Hamas, que as flotilhas são apenas um golpe publicitário de pessoas que odeiam Israel e que este é o único conflito atual em que se espera que uma parte alimente a outra”, disse Brown.
O que aconteceu com as outras flotilhas?
Em 2008, um ano após o Hamas assumir o controle da Faixa de Gaza, quando Israel ainda não havia implementado totalmente seu bloqueio naval, várias flotilhas chegaram ao enclave. Mas, em meados de 2009, os israelenses começaram a interceptar todos os barcos e fecharam o acesso a Gaza por mar. Desde 2010, nenhuma outra flotilha chegou a Gaza.
Em 31 de maio de 2010, forças israelenses interceptaram seis barcos civis da Flotilha da Liberdade de Gaza no que ficou conhecido como o ataque Mavi Marmara. Os militares abriram fogo contra o navio de passageiros de propriedade turca, matando 10 ativistas turcos pró-palestinos. A Marinha israelense alegou posteriormente ter agido em legítima defesa, mas sua ação foi amplamente criticada em todo o mundo. As relações diplomáticas entre Israel e Turquia se deterioraram até Israel emitir um pedido formal de desculpas em 2013 e concordar em pagar 20 milhões de dólares (R$ 108 milhões) em indenização às famílias das vítimas em 2016.
A iniciativa de 2011, chamada Flotilha da Liberdade 2, jamais conseguir partiu da Grécia devido a uma combinação de pressão política, sabotagem técnica e obstáculos legais. Como consequência da pressão israelense, a Grécia proibiu a partida de navios da flotilha para Gaza, alegando preocupações de segurança e diplomáticas.
Em 29 de junho de 2015, a Flotilha da Liberdade 3, de bandeira sueca, que transportava ativistas, parlamentares, jornalistas e figuras públicas de mais de 20 países, foi interceptada a cerca de 160 quilômetros de Gaza. As forças israelenses abordaram alguns dos navios, enquanto outros retornaram. A Marinha israelense teria utilizado armas de choque durante a operação.
Em outubro de 2016, o Barco das Mulheres para Gaza, uma flotilha que transportava mulheres ativistas, também foi interceptado antes de chegar a Gaza.
Em 2018, forças navais israelenses interceptaram e apreenderam dois navios pertencentes à Flotilha Futuro Justo para a Palestina, primeiro o Al Awda, em 29 de julho, e depois o Freedom, em 3 de agosto. Segundo relatos de pessoas a bordo, as forças israelenses agrediram alguns dos ativistas, que foram posteriormente deportados de Israel.
Em outubro de 2016, o Barco das Mulheres para Gaza, uma flotilha que transportava mulheres ativistas, também foi interceptado antes de chegar a Gaza.
Em 2018, forças navais israelenses interceptaram e apreenderam dois navios pertencentes à Flotilha Futuro Justo para a Palestina, primeiro o Al Awda, em 29 de julho, e depois o Freedom, em 3 de agosto. Segundo relatos de pessoas a bordo, as forças israelenses agrediram alguns dos ativistas, que foram posteriormente deportados de Israel.
Duas flotilhas que partiram no início deste ano e a Global Sumud, que neste momento navega rumo a Gaza, são descritas como missões da Flotilha da Liberdade.
Greta Thunberg já estava entre os participantes da Missão Madleen, que partiu em junho de 2025. Eles ficaram detidos depois que as forças israelenses interceptaram o barco e, mais tarde, foram deportados.
Em julho, ativistas da missão Handala foram presos depois que seu navio foi interceptado e apreendido em águas internacionais ao largo da costa de Gaza.
ASSISTA O VÍDEO EM QUE APARECE A ATIVISTA GRETA THUNBERG





