Gaza voltou a ser atacada neste domingo por Israel. (Reprodução: TV)


A frágil trégua na Faixa de Gaza foi abalada neste domingo, 19 de outubro, depois que Israel retomou os bombardeios em resposta ao que o Exército israelense classificou como uma “violação flagrante” do cessar-fogo por parte do Hamas. Segundo o relato israelense, militares teriam sido alvo de ataques na região sul do enclave palestino.

Testemunhas na área de Rafah, no Sul de Gaza, relataram que aviões de guerra israelenses realizaram ataques em pelo menos dois pontos, gerando novas preocupações sobre o futuro do acordo mediado internacionalmente. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, afirmou que os bombardeios israelenses mataram ao menos 11 pessoas em toda a Faixa neste domingo.

O Exército de Defesa de Israel (IDF) confirmou os ataques aéreos e de artilharia, afirmando que suas tropas foram alvo de mísseis antitanque e fogo de metralhadora enquanto trabalhavam para desmantelar a infraestrutura do Hamas na área de Rafah, “em linha com o acordo” de cessar-fogo. Em comunicado, o IDF disse que os ataques visaram “estruturas militares e túneis operacionais” do grupo.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não confirmou os ataques diretamente, mas seu gabinete informou que ele havia ordenado uma “resposta forte” ao suposto ataque do Hamas durante uma consulta de emergência com chefes de segurança.

Por sua vez, o grupo militante Hamas negou veementemente a acusação israelense de que suas forças teriam atacado tropas. Um alto funcionário do grupo acusou Israel de “fabricar pretextos frágeis” para justificar a escalada da violência e de violar repetidamente o acordo de trégua. O braço armado do Hamas, as Brigadas Izzadin al-Qassam, chegou a declarar que “não estava ciente de quaisquer incidentes ou confrontos” em Rafah.

A onda de ataques representa o mais sério teste para o cessar-fogo, que se tornou efetivo no dia 11 de outubro e previa a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, além do aumento da ajuda humanitária à Gaza.

A intensificação dos conflitos ocorre em meio à pressão de alas ultranacionalistas do governo de Netanyahu, que já vinham pedindo a retomada dos combates em força máxima para “destruir completamente o Hamas”. O Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, reiterou publicamente o apelo a Netanyahu para que retomasse os combates com “força máxima”.