As ruas das principais cidades italianas apinhadas de manifestantes em defesa de Gaza. (Reprodução: Euronews)


Milhares de italianos participaram nesta sexta-feira (3) de manifestações em diversas cidades do país em apoio à flotilha humanitária para Gaza e em protesto contra a postura do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni diante do conflito entre Israel e Palestina.

A mobilização foi convocada pelos principais sindicatos italianos e incluiu uma greve geral que afetou transportes públicos, escolas e serviços essenciais.

Em Roma, cerca de 60 mil pessoas se reuniram nas proximidades do Coliseu, segundo estimativas dos organizadores. Em Milão, o número de manifestantes variou entre 50 mil e 100 mil. Também houve atos em Turim, Palermo, Nápoles e outras cidades. Os protestos foram marcados por bandeiras palestinas, cartazes com críticas à política externa italiana e cânticos como “Bella Ciao”, símbolo da resistência antifascista.

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A greve geral foi convocada em resposta à interceptação da flotilha “Global Sumud”, que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza e contava com ativistas de diversos países, incluindo 22 italianos. A embarcação foi bloqueada por forças israelenses, o que gerou indignação entre os sindicatos e movimentos sociais.

“O governo italiano está em silêncio diante do massacre em Gaza. Não podemos aceitar essa omissão”, afirmou Maurizio Landini, secretário-geral da CGIL, maior central sindical do país. “Estamos aqui para exigir que a Itália defenda os direitos humanos e se posicione contra a violência.”

A mobilização também teve como objetivo pressionar Meloni a adotar uma postura mais ativa na defesa dos palestinos.

Desde o início da ofensiva israelense, o governo italiano tem mantido uma posição alinhada aos Estados Unidos e à União Europeia, sem condenar diretamente as ações militares em Gaza.

A greve foi considerada ilegítima por autoridades italianas por ter sido convocada com menos de dez dias de antecedência, como exige a legislação local. Ainda assim, teve forte adesão, especialmente entre trabalhadores dos transportes, professores e servidores públicos.

“Estamos aqui porque não podemos mais assistir calados ao sofrimento do povo palestino”, disse Francesca Piras, professora da rede pública em Roma. “A solidariedade internacional é uma obrigação moral.”

A flotilha “Global Sumud” partiu da Turquia com destino a Gaza, levando alimentos, medicamentos e suprimentos médicos.

A interceptação ocorreu em águas internacionais, segundo os organizadores, o que levantou questionamentos sobre a legalidade da ação israelense.

Os protestos desta sexta-feira se somam a uma série de manifestações que vêm ocorrendo na Europa desde o agravamento da crise humanitária em Gaza. Na Itália, os atos têm ganhado força com o apoio de sindicatos, organizações de direitos humanos e movimentos estudantis.

A primeira-ministra Giorgia Meloni não se pronunciou oficialmente sobre os protestos até o fechamento desta edição.