O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou duramente as declarações do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser um “antissemita declarado” e “apoiador do Hamas”. A publicação, feita nas redes sociais, incluiu uma imagem manipulada digitalmente em que Lula aparece como marionete do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
Em resposta, o Itamaraty classificou as declarações como ofensivas, falsas e inaceitáveis, exigindo que o governo israelense assuma responsabilidade pelo ataque ao Hospital Nasser, na Faixa de Gaza, que resultou na morte de pelo menos 20 pessoas, incluindo jornalistas e profissionais humanitários.
O governo brasileiro também afirmou que Israel deve impedir o que chamou de “genocídio” e respeitar o direito internacional humanitário.
O ataque ao hospital, ocorrido em meio ao conflito na região, vitimou cinco jornalistas, entre eles profissionais da agência Reuters, além de pacientes e socorristas. O Brasil considera o episódio uma grave violação da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, e pediu uma investigação independente e transparente.
A tensão entre os dois países se intensificou após o Brasil se retirar da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, decisão que foi interpretada por autoridades israelenses como um gesto de alinhamento com regimes hostis. Em retaliação, Israel anunciou o rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil.
O governo brasileiro reforçou seu apelo por um cessar-fogo imediato em Gaza, pela proteção de civis e jornalistas, e pela entrada de ajuda humanitária. Segundo o Itamaraty, a responsabilização por atos como o ataque ao hospital é essencial para garantir justiça às vítimas e evitar novas tragédias.
A crise revela um profundo desgaste nas relações bilaterais e levanta preocupações sobre os limites da diplomacia diante de conflitos armados e violações de direitos fundamentais.


