Beirute é una cidade destruída após semanas de ataques. (Reprodução: TV)


O governo do Líbano acusou Israel, nesta sexta-feira (17), de violar o cessar-fogo de dez dias iniciado na véspera. O acordo, que visa interromper semanas de conflito entre as forças israelenses e o Hezbollah, já apresenta sinais de fragilidade poucas horas após entrar em vigor.

A trégua foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e passou a valer à meia-noite desta sexta. O conflito já deixou mais de 2.000 mortos no Líbano e cerca de 1 milhão de deslocados —o equivalente a um quinto da população do país—, segundo dados das Nações Unidas.

O exército libanês afirmou que Israel cometeu “várias violações” no sul do país. O grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, declarou estar “com o dedo no gatilho” para reagir a investidas. No campo diplomático, o presidente da França, Emmanuel Macron, demonstrou preocupação de que a trégua esteja sendo “enfraquecida pela continuidade de operações militares”.

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“Peço segurança para as populações civis dos dois lados da fronteira. O Hezbollah deve abandonar as armas. Israel deve respeitar a soberania libanesa e encerrar a guerra”, afirmou o líder francês.

Retorno a escombros

Apesar da instabilidade, moradores do sul do Líbano e da periferia de Beirute iniciaram o retorno às suas casas. O cenário é de devastação generalizada.

“Felizmente estamos voltando para casa e somos vitoriosos, apesar dos bombardeios”, diz Mohammad Abou Raya, 35. “Mesmo que não encontremos nossas casas, o importante é voltar para nossa terra.”

Na periferia sul da capital, moradores avaliam os danos após semanas de deslocamento forçado. “Nossa casa foi muito danificada, mas graças a Deus houve o cessar-fogo”, afirma Insaf Ezzeddine, que retornava ao bairro com a família.

O movimento de retorno ignora alertas do Exército de Israel, que pediu que civis evitem áreas ao sul do rio Litani, alegando manter presença militar na zona de fronteira.

Geopolítica

A guerra intensificou-se em março, quando o Hezbollah passou a atacar Israel em apoio ao Irã, após uma ofensiva israelense-americana contra o território iraniano no fim de fevereiro.

O cessar-fogo atual é visto como uma peça estratégica: Teerã estabeleceu a trégua como condição para prosseguir com negociações com Washington, visando um fim duradouro para o conflito regional.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou o acordo como uma oportunidade de “paz histórica”, mas condicionou a permanência ao desarmamento do Hezbollah. Já o deputado Ibrahim Moussaoui, do Hezbollah, afirmou que o grupo respeitará o acerto “desde que haja interrupção total das hostilidades e Israel não realize assassinatos”.

Negociações

Donald Trump afirmou ter conversado com Netanyahu e com o presidente do Líbano, Joseph Aoun. Este último, contudo, recusa-se a manter diálogo direto com o premiê israelense.

Paralelamente, Estados Unidos e Irã mantêm tratativas mediadas pelo Paquistão. Embora uma rodada em Islamabad tenha terminado sem acordo, Trump afirmou que as partes estão “muito próximas” e que Teerã teria aceitado ceder seu estoque de urânio enriquecido —informação ainda não confirmada pelo governo iraniano.