A embaixada libanesa nos EUA negou nesta quinta-feira (16) que o presidente libanês, Joseph Aoun, falaria com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, segundo fontes informaram à Reuters.
A declaração acontece após a ministra israelense de Inovação e integrante do gabinete de segurança política, Gila Gamliel afirmar, também nesta quinta, que os líderes conversariam. Seria a primeira vez, em décadas, que lideranças dos dois países vão se comunicar diretamente.
“O primeiro-ministro falará pela primeira vez com o presidente do Líbano após tantos anos de ruptura total do diálogo entre ambos os países, e cabe esperar que esta iniciativa conduza finalmente à prosperidade e ao desenvolvimento do Líbano como Estado”, declarou Gamliel sem especificar quando nem como isso ocorrerá.
Um contato entre Netanyahu e Aoun seria um marco nas relações entre Líbano e Israel — países que permanecem em estado de guerra desde a criação de Israel, em 1948, segundo a Reuters. Mas o Hezbollah, grupo extremista libanês apoiado pelo Irã, se opõe a contatos entre Líbano e Israel.
Na quarta-feira (15), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que líderes de Israel e Líbano conversariam pela primeira vez em 34 anos nesta quinta. Em uma publicação em sua rede social, ele disse que está tentando criar um espaço para que os líderes e Israel e Líbano conversem.
Segundo Trump, essa conversa deve ocorrer nesta quinta após 34 anos desde o último contato entre esses líderes. Ele não deu detalhes e não ficou claro se se referia aos chefes de Estado dos dois países ou a outros altos funcionários.
Contexto
O conflito entre Israel e Hezbollah foi retomado no início de março, após o grupo terrorista (que é apoiado por Teerã) lançar ataques aéreos contra o território israelense, em retaliação a bombardeios de Israel a alvos no Irã. As ações mergulharam o Líbano em uma crise humanitária.
Na terça-feira (14), embaixadores dos dois países se reuniram para discutir um possível cessar-fogo o Departamento de Estado dos EUA, em Washington.
Ao sair do primeiro encontro, o embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, disse que o governo libanês deixou claro que não quer mais o país “ocupado” pelo grupo extremista Hezbollah, e que houve conversas sobre uma visão de longo prazo para uma fronteira claramente delimitada entre os dois países.
No entanto, ele não se comprometeu com um cessar-fogo entre Tel Aviv e Berute.
“Quanto a um cessar-fogo, estamos lidando com apenas uma coisa, e deixei isso muito claro: estamos focados na segurança dos residentes do Estado de Israel”, declarou Leiter.
Atualmente, a fronteira entre os dois países é delimitada pela Linha Azul, definida pela ONU no ano 2000. Em março de 2026, no entanto, as forças de Israel ocuparam o sul libanês entre a Linha Azul e o rio Litani, ordenando a remoção da população local, sob a justificativa de combater o Hezbollah.
De acordo com os EUA, Israel e Líbano concordaram em prosseguir com as conversas “em um momento e local acordado mutuamente” no futuro.
Leiter conversou por duas horas com a embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Hamden Moawad. O secretário de Estado, Marco Rubio, também esteve presente na reunião.





