Durante visita a Breves, no arquipélago do Marajó, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que a Conferência do Clima da ONU (COP30), marcada para novembro de 2025 em Belém (PA), será marcada pela “verdade” da Amazônia e não pelo “luxo” dos grandes eventos internacionais.
Em tom firme, mas bem-humorado, Lula reconheceu os desafios logísticos da capital paraense e prometeu que, se necessário, dormirá em um barco durante o encontro.
“Não será a COP do luxo. Será a COP da verdade. Eu vou dormir num barco. Se não tiver hotel, eu vou dormir num barco. E vou levar os presidentes para dormir comigo num barco, para ver se tem carapanã para picar gringo”, disse o presidente, arrancando risos da plateia reunida para a inauguração de uma creche pública.
A fala ocorre em meio a críticas sobre a infraestrutura de Belém para receber milhares de delegações internacionais. Lula, no entanto, reforçou que a escolha da cidade é estratégica para mostrar ao mundo a realidade da floresta e das populações amazônicas.
“Não quero que a COP seja em hotel cinco estrelas. Quero que seja em barco, em palafita, em casa de ribeirinho, em casa de pescador, em casa de quilombola. Quero que o mundo veja como vive o povo da Amazônia”, afirmou.
O presidente também voltou a cobrar dos países ricos o cumprimento das promessas de financiamento para ações de preservação ambiental.
Segundo ele, é injusto que nações em desenvolvimento arquem sozinhas com o custo da proteção das florestas tropicais.
“Os países ricos têm que colocar dinheiro. Não é favor. É obrigação. Eles já destruíram o que tinham de floresta. Agora querem que a gente preserve sem apoio? Não dá”, declarou Lula, reforçando a necessidade de justiça climática.
A COP30 será a primeira conferência do clima realizada na Amazônia. A expectativa do governo é que o evento reúna cerca de 50 mil pessoas, incluindo chefes de Estado, cientistas, ativistas e representantes da sociedade civil. A escolha de Belém foi anunciada em 2023, com apoio do secretário-geral da ONU, António Guterres.


