O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou otimismo em relação à resolução das divergências comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos, em declaração feita nesta quinta-feira (9), durante a inauguração de uma fábrica da montadora chinesa BYD, no município de Camaçari, na Bahia. A fala de Lula foi uma resposta ao “tarifaço” imposto pelos EUA a produtos brasileiros, medida que entrou em vigor em agosto deste ano.
Lula, em sua conversa com jornalistas, afirmou acreditar que as questões comerciais com os Estados Unidos serão resolvidas. “Acho que nosso problema com os EUA será resolvido”, disse o presidente. Ele explicou que o Brasil não tem preferências por países, mas busca estabelecer relações equilibradas e respeitosas com todos.
“Nós não temos preferência por países. O que nós queremos é estabelecer uma relação civilizada com o mundo, por isso que nós defendemos o multilateralismo, é por isso que nós não concordamos quando os EUA tomaram a posição de taxar os produtos brasileiros com base em coisas que não eram verdadeiras”, destacou.
Recentemente, o presidente conversou por telefone com o presidente dos EUA, Donald Trump, pedindo a revogação das tarifas. Desde então, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem dado continuidade às negociações. Na terça-feira (7), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro discutiram o tema e marcaram uma futura reunião em Washington, que ainda não tem data definida.
Além das relações com os EUA, Lula reforçou a importância de estreitar os laços com outros países e blocos internacionais, destacando a boa relação com a China. “Eu me considero amigo do presidente Xi Jinping e tenho certeza que ele se considera amigo do Brasil porque nos tratamos como dois países importantes do Sul Global e não aceitamos que ninguém meta o dedo no nosso nariz. Queremos ser respeitados e tratados com muita decência”, disse, durante a inauguração da fábrica da BYD, uma das maiores montadoras de veículos elétricos do mundo.
A China tem sido um parceiro estratégico do Brasil, especialmente nas áreas de comércio e investimentos. Lula enfatizou a continuidade dessa parceria, apontando que o Brasil não quer estar “mal com nenhum país”, reforçando sua política de multilateralismo.
“A gente quer estar bem com a China, a gente quer estar bem com os EUA, a gente quer estar bem com a Argentina, a gente quer estar bem com o Uruguai, a gente quer estar bem com Bolívia. Não queremos estar mal com nenhum país”, afirmou.
Crítica à derrota no Congresso
O presidente também aproveitou o evento para comentar a derrota do governo na Câmara dos Deputados, onde a medida provisória (MP) que aumentava tributos para grandes fortunas perdeu a validade. A MP, que havia sido proposta pelo governo para taxar mais os bilionários e os mais ricos, não chegou sequer a ser debatida em plenário, sendo retirada de pauta por uma maioria de deputados.
“Ontem foi triste porque uma parte do Congresso Nacional votou contra a taxação que a gente queria fazer dos bilionários deste país, daqueles que ganham muito e pagam pouco. Vocês não podem ficar quietos”, afirmou Lula, visivelmente incomodado com o resultado.
Ele criticou duramente a postura de setores mais conservadores da Câmara, especialmente os aliados do Centrão, que impediram a votação da proposta. “Se um trabalhador pode pagar 27,5%, por que um ricaço não pode pagar 18%? Ainda fizemos acordo para 12% e eles não quiseram pagar. Eles podem saber que é uma questão de dias, eles vão pagar o imposto que merecem aqui no Brasil porque o povo trabalhador não vai deixar isso barato”.





