Registro da festa de aniversário da Marta Suplicy sexta à noite. Lula, Janja, advogado Marco Aurélio de Carvalho, ministro Fernando Haddad, José Dirceu e Guilherme Boulos.


José Dirceu, ex-ministro e figura histórica do PT, revelou neste sábado (15) que recebeu uma missão direta do presidente Lula: ajudar a organizar as eleições internas do partido e trabalhar para eleger Edinho Silva como presidente nacional.


Além disso, Lula quer que Dirceu volte à política institucional como candidato a deputado federal em 2026. Mas, segundo ele, essa decisão ainda não está fechada.


“Isso eu vou fazer no final do ano. Agora, temos de governar o Brasil, apoiar o presidente para sairmos dos problemas que estamos enfrentando no país e também com a situação internacional, que é muito grave”, disse.

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Dirceu destacou que o governo precisa focar em questões que impactam diretamente a vida da população, especialmente os mais pobres.
“O país não está parado. Mesmo com os juros mais altos, temos condições de fazer o país crescer. Mas não vou participar de governo, nada disso, vou ajudar como cidadão mesmo”, afirmou.


Ele deu essas declarações no Espaço Cultural Elza Soares, um galpão do MST no centro de São Paulo, onde estava sendo comemorado seu aniversário de 79 anos.

A festa deste sábado foi bem diferente da reunião que Dirceu promoveu na última terça-feira, em Brasília, que contou com ministros de Lula e políticos de diferentes espectros ideológicos. Desta vez, o evento foi mais voltado para a militância, com a presença de cerca de 600 pessoas, segundo os organizadores, incluindo ativistas políticos e membros do MST. Só no meio da tarde é que figuras mais conhecidas do PT em São Paulo, como os deputados Rui Falcão e Emídio de Souza, apareceram.

Pouco antes das 15h, Dirceu fez um discurso para os convidados, onde não poupou críticas ao bolsonarismo e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.


“Tarcísio acha que vai ganhar (a eleição) em 2026? Vai nada. Nós vamos ganhar”, declarou, enquanto criticava a gestão do governador na área de segurança pública. “O que temos aqui é um esquadrão da morte”, disparou.

Enquanto isso, a festa de Dirceu dividiu atenções com a eleição da mesa diretora da Alesp, que deve reconduzir André do Prado, aliado de Tarcísio, à presidência da Casa. Já no PT, a disputa interna segue sem consenso. Na última quarta-feira, o deputado Rui Falcão publicou uma carta sugerindo que pode se candidatar à presidência nacional do partido, cargo que ocupou entre 2011 e 2017. Outro nome cotado é o do senador Humberto Costa, atual presidente interino, que assumiu após Gleisi Hoffmann se tornar ministra de Relações Institucionais.

A eleição do PT está marcada para 6 de julho. Até lá, Lula conta com Dirceu para ajudar a acalmar os ânimos e consolidar o apoio à candidatura de Edinho Silva. “Nós vamos resolver isso”, parece ser o recado.