Em nova participação no podcast Mano a Mano, gravado no Palácio da Alvorada no dia 15 de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou sobre a proposta de aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), elaborada pelo Ministério da Fazenda. Segundo Lula, a medida visa compensar gastos do Orçamento diante das limitações do arcabouço fiscal e não deveria ser motivo de controvérsia: “O IOF do [Fernando] Haddad não tinha nada demais”, declarou.
O presidente argumentou que setores altamente lucrativos, como casas de apostas (bets), fintechs e bancos, devem contribuir mais com a arrecadação. “Não é muito imposto. É um pouquinho só para a gente poder fazer a compensação”, justificou.
Lula também destacou a importância da medida para evitar cortes em áreas essenciais: “Se eu tiver que cortar R$ 40 bilhões do Orçamento de obras de rua, da saúde, da educação, eu tenho que ter uma compensação. O IOF é para fazer essa compensação.” A proposta enfrentou grande resistência no Congresso desde que foi apresentada pela equipe econômica em maio.
No dia 8 de junho, um jantar na residência oficial da Câmara reuniu os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de membros da equipe econômica, para debater alternativas ao aumento do tributo. Apesar das articulações, no dia 16 de junho a Câmara aprovou, por 346 votos a 97, o requerimento de urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2025, que suspende os efeitos do decreto do governo.
A aprovação foi interpretada como uma derrota política para o ministro Fernando Haddad, que entrou em licença naquele mesmo dia. Parlamentares indicaram a intenção de anexar outros PDLs ao projeto para impedir o reajuste do IOF de forma definitiva.
Aliados do Planalto consideraram a votação uma quebra de acordo por parte do presidente da Câmara. Ainda assim, a avaliação do governo é de que o Planalto manterá uma postura conciliadora para preservar o diálogo com o Legislativo e reduzir o desgaste político.


