“O Brasil demonstrou, mais uma vez, que é muito maior do que quaisquer golpistas e traidores da pátria”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura do Ano Judiciário no Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (2).
Ao lado de ministros da Corte, Lula disse que o país superou as tentativas de ruptura democrática e que a harmonia entre os Poderes foi decisiva para recolocar o Brasil em posição de destaque internacional.
O presidente lembrou os ataques de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que a democracia saiu mais forte e consciente de seu valor.
O discurso também trouxe anúncios na área da segurança pública. Lula detalhou uma estratégia de asfixia financeira contra organizações criminosas, citando a Operação Carbono Oculto e prometendo integração entre Polícia Federal, Receita e governos estaduais.
Segundo ele, o objetivo é atingir os “magnatas do andar de cima”, responsáveis por movimentar recursos ilícitos em endereços nobres.
Na pauta social, o presidente classificou como intolerável a média de quatro feminicídios por dia no país e confirmou para quarta-feira (4) o lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, com participação dos Três Poderes.
Lula disse que é preciso ir além da punição e promover uma mudança cultural, educando meninos e conscientizando homens de que nada justifica a violência.
“A mulher pertence apenas a ela mesma, e a mais ninguém”, afirmou, estendendo a preocupação para agressões no ambiente digital.
O presidente também alertou para os riscos da manipulação eleitoral por meio de inteligência artificial e fake news.
Chamou de “pirataria eleitoral” o uso criminoso de áudios e vídeos falsificados e cobrou da Justiça Eleitoral rigor e rapidez para enfrentar essas práticas.
Para Lula, a defesa da soberania do voto em 2026 dependerá de compromisso ético das plataformas digitais e dos meios de comunicação.
O presidente associou estabilidade política a avanços econômicos, como redução da desigualdade e geração de empregos, e pediu que o Judiciário mantenha a serenidade demonstrada sob a gestão do ministro Edson Fachin. O tom foi de reafirmação da democracia e de cobrança por respostas rápidas às novas ameaças institucionais.


