Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Caminhada do Dois de Julho. Salvador - BA - Foto: Agência Brasil


Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, da TV Bahia, nesta quarta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o crime organizado no Brasil se tornou uma “indústria nacional” com ramificações em diversos setores, incluindo o judiciário, o mundo político e até mesmo o futebol.

A fala do presidente surgiu em meio a questionamentos sobre os crescentes índices de violência na Bahia, que se destacou em 2023 como o estado com a segunda maior taxa de mortalidade entre jovens e líder em números absolutos de homicídios no país, com 6.616 óbitos registrados.

“Eu acho que o crime organizado hoje é muito grave, porque é uma indústria nacional e tem braços nos poderes judiciário, político… [no] futebol, em tudo que é lugar. Tem um braço internacional”, afirmou Lula, enfatizando a complexidade e a abrangência do problema. Diante desse cenário, o presidente defendeu a necessidade de maior profissionalização no enfrentamento ao crime organizado.

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“Existe inteligência para que a gente possa combater esse mal que é uma chaga no mundo inteiro. No Brasil, ela cresce, porque em alguns estados, muita parte da polícia é conivente com isso”, completou, apontando para a importância de uma atuação mais eficaz e íntegra das forças de segurança.

A Bahia, conforme dados do Atlas da Violência 2025, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ipea, apresenta uma taxa de mortalidade de jovens 12 vezes maior que a de São Paulo, o estado mais populoso do Brasil e com a menor taxa em 2023. Casos recentes de violência na capital e interior do estado ilustram a gravidade da situação. Na madrugada do último domingo (9), dois jovens morreram e nove pessoas ficaram feridas em um ataque a tiros no bairro do Alto do Cabrito, em Salvador, deixando uma jovem grávida em estado grave. No extremo sul, as mortes dos jovens Matheus Rodrigues de Souza, de 24 anos, e Anna Luiza Lima Brito, de 21, em Eunápolis, chocaram o estado, com a polícia investigando a hipótese de vingança e disputa por território entre facções criminosas.

Lula ressaltou que não há “mágica” para resolver o problema da violência, mas sim a necessidade de uma “fórmula civilizatória” e um entendimento entre os governos federal e estadual. “O que estamos precisando é encontrar uma fórmula, porque não tem mágica. É uma fórmula civilizatória, é um entendimento entre os governos federal e estadual para saber onde cada um participa”, avaliou.

Força Nacional

A presença da Força Nacional de Segurança Pública no extremo sul da Bahia, especificamente em Porto Seguro desde abril deste ano, foi outro ponto abordado pelo presidente. Os agentes foram enviados para reforçar a segurança em áreas de conflitos entre indígenas e fazendeiros, com previsão de permanência por 90 dias. A Força Nacional, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, é composta por policiais militares, bombeiros, policiais civis e peritos, e é acionada em situações de emergência.

Lula esclareceu a atuação da Força Nacional nos estados, enfatizando que sua entrada ocorre apenas mediante solicitação e necessidade do governo estadual. “As forças de segurança só entram quando o estado precisa e pede. A gente não faz intervenção com a força de segurança. Se tiver um conflito que a polícia local não está dando conta, porque em alguns estados a polícia local se coloca ao lado de um dos lados, normalmente do lado do mais forte, então a força nacional entra”, explicou. A declaração do presidente contextualiza a complexidade do cenário de segurança pública no Brasil e a busca por soluções conjuntas para enfrentar o avanço do crime organizado e a violência.