A ministra Marina Silva ao lado dos colegas Fernando Haddad (Fazenda) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), em Belém. (Foto: Ag. Gov)

O Brasil lançou nesta quinta-feira (6), durante a Cúpula dos Líderes que antecede a COP30, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), com o objetivo de criar um mecanismo permanente de financiamento para a proteção e restauração das florestas tropicais. A proposta recebeu apoio imediato de 53 países, entre nações detentoras de florestas e potenciais investidores.

A iniciativa, apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Belém (PA), já arrecadou mais de US$ 5,5 bilhões em aportes confirmados, superando metade da meta de US$ 10 bilhões estipulada para o primeiro ano. Os recursos iniciais foram anunciados por Brasil (US$ 1 bilhão), Indonésia (US$ 1 bilhão), Noruega (US$ 3 bilhões) e França (US$ 500 milhões). A Alemanha também sinalizou adesão financeira, com anúncio previsto para esta sexta-feira.

Segundo o embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, o fundo conta com o apoio de países que não possuem florestas tropicais, mas que enxergam na proposta uma oportunidade de investimento climático. Entre os signatários estão Alemanha, Austrália, Canadá, China, Emirados Árabes Unidos, Japão, Reino Unido e União Europeia.

Já os países detentores de florestas tropicais — e que devem ser beneficiados diretamente — incluem Brasil, Indonésia, República Democrática do Congo, Peru, Colômbia, Papua-Nova Guiné, entre outros. Juntos, esses países concentram mais de 90% das florestas tropicais do planeta, distribuídas principalmente nas bacias Amazônica, do Congo e do Sudeste Asiático.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, celebrou o resultado inicial. “Inauguramos aqui as tratativas em torno desse compromisso bastante esperançosos”, afirmou. Segundo ele, ao atingir US$ 25 bilhões em aportes públicos, o fundo poderá alavancar até US$ 100 bilhões em investimentos privados, numa proporção de quatro para um.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, também destacou o caráter transformador da iniciativa. “Mais do que pensar só no aporte, temos também o apoio dos países que serão beneficiários”, disse. Ela ressaltou o papel do Brasil como articulador da proposta e agradeceu os compromissos já firmados por Noruega, Indonésia e França.

O TFFF se apresenta como um novo modelo de financiamento climático, com foco em pagamentos previsíveis e baseados em desempenho. A proposta é remunerar países que mantêm suas florestas em pé, valorizando comunidades tradicionais, povos indígenas e práticas sustentáveis de uso da terra.